sexta-feira, maio 27, 2005

Você tem que se aceitar... Aceitar que você não é linda como eu!

A apresentadora super-moderna estica-se lânguida sobre o divã estilizado e tenta uma careta bem sexy, bem no clima do programa. Ela mal consegue respirar com o espartilho que esmaga seus portentosos peitos recém-comprados. O diretor faz sinal que vai entrar uma ligação e ela se prepara sorridente para resolver a dúvida do adolescente afoito. Sexo na TV, um puta avanço!

- Ooooi? Qual seu nome? - Indaga a apresentadora criando um clima bem descontraído, bem “papo de amiga”, como frisou o diretor.
Carrrla - responde a voz do outro lado com sotaque bem paulistano.
-E aí Carlinha...Posso te chamar de Carlinha, né gata? O que que tá pegando?- Quer saber a apresentadora, fazendo uso de todo seu vocabulário técnico.
-Aiiii Pê (a menina também quer ser íntima da apresentadora), o “pobrema” é o meu namorado, o Jefferson.
- O pirú dele é pequeno? Interessa-se a apresentadora.
- Não é que...
- Então é muito grande? Noossa, pára tudo! É muito grande! O namorado dela tem um pirú gi-ga-nte! – Berra a agora animadíssima apresentadora, enquanto o gerador de caracteres exibe eletronicamente abaixo do divã a frase: “Eu não agüento a jeba do meu namorado”.
- Não é nada disso - diz a adolescente problemática cortando o clima da apresentadora. - Ele me acha... Ele diz que eu sou muito gorda...


“ Sou balofa e meu namorado me odeia!”, exibe o gerador de caracteres com um sintetismo invejável.
- Pô Carlinha, mas o importante é se aceitar como a gente é!
- Eu tenho um metro e sessenta e peso 93 quilos, Pê! - choraminga a menina
- Mas isso é lindo!- responde a dublê de VJ e sexóloga. - Todo mundo é lindo do jeito que é!
- Pê, mas se todo mundo é lindo do jeito que é, por que você fez lipoaspiração, colocou silicone e mudou seu nariz? - quer saber a (cada vez mais) confusa adolescente mal-amada.
- Eu fiz isso pra mostrar que ninguém é melhor porque emagrece e posa para a capa da Playboy - conta a apresentadora que escancarou sua ideologia num pôster duplo na Playboy do mês passado.
- Mas se todo mundo é bonito do jeito que é e você quis mostrar isso para a sociedade, não seria mais simples não ter colocado silicone, Pê?
- Eu quis mostrar que posso ser contra a padronização da estética e ter silicone! Acho importante ter alguém que defenda pessoas como você, amiga! Existe aí fora um monte de gente que é rolha-de-poço, caolha, puxa de uma perna... E essas pessoas são belas! Você é linda, Carlinha!!!
- Mas por que você precisou fazer todas essas plásticas, Pê?
- Olha, é que para nós que estamos na TV é muito complicado. Eu não queria ter que ficar assim, mas a pressão é enorme, você nem imagina! Você tem sorte porque pode se aceitar balofa como é, eu não! - responde lacrimosa a VJ, uma incompreendida.


Porque o que a pobre adolescente não conseguia enxergar era que que sua VJ preferida, na verdade, era vítima de um complô cruel que obrigava as mulheres a ficarem belas contra sua vontade. Uma verdadeira tortura onde todos eram culpados, principalmente o namorado dela.
- Mas você não tava lutando justamente contra isso, Pê? - Insiste Carlinha.
- Olha só queridinha, nosso tempo tá acabando... Você não quer pedir um clipe, não?
- Eu queria resolver meu problema, Pê... Me sinto tão mal...
- Vamos ver um clipe da Britney Spears?
- Mas eu nem gosto da Britney Spears!
...

- É isso aí, problema resolvido! No próximo bloco eu vou ensinar como uma virgem pode fazer sexo anal sem doer. Não sai daí, tá? - E despede-se com um beijinho sexy a apresentadora siliconada, uma verdadeira guerreira contra o falocêntrico mundo da padronização estética feminina.

sábado, maio 21, 2005

Juro que pensei nisso antes

Por que todo esse encândalo em cima do Michael Jackson? Não estou entrando nos méritos do gosto sexual do Peter Pan da black music, mas porque essa preocupação com o fato dele ter ficado branco? Ora, do Ziraldo que nasceu branco e ficou preto depois de velho (e segue impávido em seu caminho para se transformar num preto véio mineiro), ninguém enche o saco!

(Ok, admito, essa piada não é nova. O Jô Soares, os caras do Casseta & Planeta e mais um bando de gente já falou sobre isso. Nem sei se é ainda engraçado. Mas eu pensei nela antes...)

sexta-feira, maio 20, 2005

Só entende quem é insone

É impressão minha ou toda e qualquer hora em que você sintoniza no Warner Channel está passando uma reprise de Gilmore Girls?

Eu desconfio que o canal da Warner até tenha uma programação, mas eles só exibem quando ninguém está assistindo. Às vezes eu tento enganar minha tv à cabo e coloco num canal inóspito, como aquele que vende tapetes. Daí então, como quem não quer nada, mudo para a Warner. Ágil e inesperado como um ataque de cascavel... De nada adianta, as meninas Gilmore estão sempre lá, impávidas, tomando um cafézinho e discutindo não sei o quê!

Por duas vezes tive a impressão de captar um risinho sarcástico da mais nova. Aposto que ela pensava " Há, você pensou que nós não estávamos preparadas?"

quarta-feira, maio 04, 2005

Não Estamos Nessa Sozinhos ou Eu também Sei Ser Sério

Existem situações em que nossas crenças são reafirmadas, ocasiões e momentos em que as palavras colidem com as ações e o resultado é a renovação daquilo que nos move e nos mantêm firmes. Ontem foi um desses dias para mim. Eu já vi tantas bandas tocarem que nem me lembro mais, já fui tocado pela mensagem e pela intensidade de diversos shows, mas nada comparável à combinação de energia, raiva e verdade do show de ontem do Confronto.

Todo show do Confronto em São Paulo me parece cercado de uma espécie de clima de expectativa e o show de ontem, em especial, transbordava esse clima. Os olhos espreitavam, à espera da queda, da comprovação da causa mortis. Mas a comprovação não veio, ou melhor, veio. Mas a morte do monopólio, da arrogância que insiste em tomar para si o que não é seu. Ali, éramos todos bem-vindos.


Ao primeiro acorde o impacto da banda já podia ser sentido. O Confronto não é um decalque de uma performance radical importada, o que esses quatro homens pobres representam é mais que uma atitude inócua. Eles são iguais à maioria de meninos e meninas pobres ou ricos, negros ou brancos, que estavam ali com eles e não por eles. Sem obsessão, sem dependência, sem ilusão e sem fraqueza. Pessoas inteligentes o bastante para saber que o veneno que nos é imposto pode apresentar-se de diversas formas. Inteligentes o bastante para sabe-lo e recusa-lo.

Quando o show terminou, a impressão reinante era de que o hardcore straight edge é mais que uma competição para mostrar quem pode mais. Nunca foi sobre ganhar ou perder, sobre comandar ou aceitar ser comandado. A essência está em tomar o palco e se sentir um igual, não importando sua história ou sua idade. Ontem eu novamente senti, de forma emocionante, o que é compartilhar algo genuíno com milhares de conhecidos e desconhecidos. A sensação de que, quando a banda fala, eu sei que ela fala para mim e por mim. A certeza de que somos fortes e, mesmos sós, carregamos conosco a chama modificadora que nos une e nos protege. Esse é o meu mosh.

domingo, abril 03, 2005

Interrompemos esse programa para uma palavra dos nossos patrocinadores

"Pô cara, vai ficar aí, espremendo o rosto, na frente do espelho, arrancando espinhas? Depois vai ficar com a cara toda feia, inchada... Faz um favor pra nós dois? Vá pra rua e dê um jeito nesse povinho bunda!"

Contra cravos, espinhas, gays, negros, judeus e minorias em geral- ACNAZI!

ACNAZI- porque você tem espinhas, e alguém tem que pagar por isso!

domingo, março 27, 2005

Para tamanhos grandes

A falta de opções que nos são dadas é realmente deprimente. Vejam esse menino gordo que estreou em Malhação, por exemplo. Não interessa o que faz seu personagem na trama da novelinha adolescente (provavelmente enche os cornos de comida), o importante é o seu nome... Não, eu não sei qual o nome da adiposa figura, mas posso apostar que termina em ão. Porque é isso, gordo nesse país é sempre chamado ou de Bola ou tem acrescido ao nome o sufixo ão. Tem também aqueles que ganham o apelido de Miudinho, mas aí é deboche, já é outra estória...

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Laranjinha & Acerola contra a temível inclusão social

Kátia Lundi, diretora de vídeo-clipes e assistente de direção do maior sucesso do cinema-favela, "Cidade De Deus", está empenhada em um projeto junto a Rede Globo para a inclusão de outros promissores talentos vindos do grupo Nós do Morro. A abnegada diretora pretende minar o preconceito com que esses jovens atores são encarados lhes dando oportunidade de atuar em diversas áreas do cinema e da tv, acabando, dessa forma, com a diferença social. "Estou fazendo minha parte" diz ela.

E o projeto já está dando frutos. Fulaninha de tal, a mocinha do filme, foi convidada para fazer uma ponta no seriado "A Diarista" como uma faxineira atrapalhada. Johnatan Hagëen-Daaz, o traficante Gomalina da badalada película, já tem papel de destaque garantido na próxima minissérie da Rede Globo. Ele será um escravo, filho de Neusa Borges na trama. Mas é o protagonista de "Cidade De Deus", porém, quem tem planos mais ambiciosos. Sicrano receberá ajuda de Regina Casé para dirigir uma filme sobre os traficantes de drogas do morro do Vidigal.

Regina é outra que mergulhou de cabeça no projeto de inclusão artístico-social. A paquidérmica comediante pretende aproximar a rapaziada do asfalto e a galera do morro na festa de aniversário de sua filha. O tema da festinha desse ano será "churrasco na lage" e toda a trupe do grupo de atores já foi convidada...Mas vai ter que subir pelo de serviço.


Aliás e a propósito, por que todo personagem negro de qualquer novela, seriado ou minissérie da Globo é sempre batizado com nomes referenciais e/ou étnicos? É uma quantidade de Zulus, Zumbis, Ébanos, Pretas, Pelézinhos, Núbios, Morenas, Pardim, Chocolates, Grafites, Nankim (naquim!!! Quem dá nome de tinta prum filho, porra?!), que faz você pensar que, caso um dia um negro chamado Luiz Henrique seja apresentado ao Antonio Calmon, ele vai achar que é pegadinha!

domingo, fevereiro 20, 2005

É que a televisão me deixou burro, muito burro demais- parte II

E em um programa noturno de entrevistas na tv a cabo feito pela Marília Gabriela e com cenários assinados pelo Gringo Cardia (aliás, tenho a impressão que todos os programas de entrevistas em canais a cabo são capitaneados pela Marília Gabriela e tem cenários de Gringo Cardia) não é que quem está ali, resplandecente, é nossa grande Verinha, a heroína da novela das sete?! Você quase não acredita, mas decide sentar e terminar o sanduíche entretendo-se com o dedo de prosa das duas comadres televisivas. Por pura falta de sorte você perdeu a parte mais substancial da entrevista, restando contentar-se com um “bate-bola, jogo rápido”.
O enquadramento é fechado, o rosto das duas está tão próximo que você tem a nítida impressão que, caso a pobre Verinha dê uma resposta que não agrade a entrevistadora, Marília Gabriela vai arrancar um naco de seu nariz a dentadas. Fica a dúvida se o enquadramento é uma opção estética ou, pura e simplesmente, falta de outra câmera de tv.
Marília fuzila a entrevistada:
- Vida?
- ...É bela
- Morte?
- Passagem.
- Uma passagem?
- De ida e volta, please!
- Uma volta?
- Hummm, essa é difícil. Posso pensar? Ah, de pedalinho em Paquetá!
- Uma frase?
- Abre aspas, meu pipi no seu popô, fecha aspas. É do Roger, do Ultraje.
- Um ultraje?
- Eu comia meleca, admito.
- Uma palavra.
- Paz.
- Uma sílaba...
- Bu. De bumerangue!
- Uma vogal.
- Z!
- Z não é vogal. Você comeu alho hoje, né?
- Comi, como você sabe?
- ...E não escovou os dentes!
- Nossa, você sabe tudo de mim, meu deus?! Marília, você é genial!

É que a televisão me deixou burro, muito burro demais

Você acorda, caminha tateando o corredor até chegar à sala, com os olhos ainda um pouco embaçados pelo sono ou cheios de remela. Refastela-se no sofá, as pernas abertas, uma das mãos no meio das pernas coçando o saco. Estica a mão que está livre, aperta o botão do controle remoto... Lá está! Você, ainda zonzo de sono, não consegue distinguir o programa. É o Gugu ou o Leão, o Ratinho ou o Faustão, o Raul Gil, o Sílvio Santos...Não, não, o Sílvio Santos não é! Pode ser aquele menino de São Paulo que casou com a Angélica, mas ora bolas, quem se importa?
Você levanta, pega um copo de água e quando senta novamente no sofá, o corpo já um pouco menos dormente, percebe que o programa é uma espécie de concurso. Três pobres infelizes que estão ali você não sabe se para empilhar caixotes, assobiar “brasileirinho” com uma folha de bananeira, imitar o presidente ou engolir seis ovos inteiros de uma vez, perfilados, aguardando o voto de uma banca de jurados. O interessante é que ali para julgar os feitos incríveis dessa patota estão o que, para a produção do programa, devem ser as mentes mais abalizadas no assunto, três jovens atrizes da casa.
Enquanto os três “competidores” fritam sob o sol (o programa é gravado numa arena montada ao ar livre) o comunicativo apresentador decide saber um pouco da vida profissional de Cris Jana, a Verinha da novela das sete e jurada número um.
- E aí Cris, como está sendo interpretar a Verinha, esse sucessão enorme na novela das sete?

A jovem atriz, um primor da criatividade, sorri, aperta os olhinhos e dispara:
- Nossa, a Verinha é um preseeente do Tony! diz, exultante. – Tá sendo delicioso de fazer!
- Super bacana! E como é trabalhar com um monstro sagrado como o Lula Cortês?
- Poxa, o Lula...Nossa, é uma aula contracenar com o Lulinha!!! Eu agradeço muito porque pra mim, assim...Eu tô aprendendo muito, sabe? Acho que todo ator não pode parar de estudar e eu tenho muito que aprender e também...
Você se levanta meio enjoado, caminha até a janela e cospe. Coça a bunda e decidi se masturbar e quem sabe voltar a dormir por toda à tarde. Se dirige para o seu quarto não antes de ouvir a jurada número dois, outra jovem atriz da casa recentemente no ar numa minissérie de época:

- Antes de dar meu voto, posso anunciar que eu tô com uma peça bárbara ali no shopping?

sábado, janeiro 29, 2005

Um texto antigo, nada original e meio pernóstico sobre dirigir

Me falaram que escrever é terapêutico...Mentira! Escrever não é uma terapia, não é catártico e nem ao menos analgésico. As pautas da folha em branco só aumentam minha ansiedade e eu não consigo concatenar meus pensamentos de frente para a tela sempre brilhante de um computador. O que funciona para mim é andar. Rápido. A noventa quilômetros por hora em média, os pensamentos fluem com maior facilidade, eu esquematizo idéias, elaboro frases de efeito, rearranjo minha vidinha de forma mais aprazível para mim.

Cortando a madrugada silenciosa de um meio de semana típico, apático, indo e vindo em alta velocidade sem nunca precisar respeitar coisa alguma. Cruzando a zona sul, norte, voltando até a zona oeste, indo por centro da cidade, observando ela dormir. Eu quero ser o oposto de qualquer romancista pós-revolução industrial. Pau no cu do flaneur! Não quero entrar em contato com a gente dessa (ou de qualquer outra) cidade, nem me misturar à massa. Prefiro assisti-la de longe, pela segurança confortável da janela de um carro. Mendigos, putas, bêbados, travestis, taxistas que conversam, casais de namorados que se bolinam no escuro e velhos no seu cooper solitário... Toda a sorte de tipos estranhos, alguns policiais e alguns loucos também.

Silenciosamene adentro as ruas e as vielas mais escuras trilhando trajetos desconhecidos, não me furtando a me embrenhar pelos caminhos mais assustadores e menos previsíveis. As ruas de Copacabana têm muito mais personalidade que as avenidas largas apinhadas de ícones capitalistas de neon da Barra. As vielas quase desertas do Centro convidam ao crime, enquanto as sombrias e familiares ruas da Urca parecem querer te expulsar de lá.

A estrada, a seta que aponta sempre para frente. Essa é minha única saída, minha única certeza.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

O MERCADO DE TRABALHO É UMA PRAÇA DE GUERRA

“Faz duas semanas que estou aqui, acho eu, padecendo nessa trincheira, enlouquecendo aos poucos. Não posso afirmar quantos dias se passaram ao certo, pois eu deixei de contar depois da terceira noite e algumas manhãs são tão escuras que é impossível distinguir se já é dia ou uma madrugada perene. Desde que nossos generais bateram as botas em retirada, o inimigo não aparece mais sob a linha de combate. Sobramos nós aqui, sozinhos. Então, sem ter o que fazer, decidimos lutar contra nós mesmos. Matamos uns aos outros para o tempo correr mais depressa”.

Essa filha da puta pensa que me engana! Eu posso ler o escárnio no seu sorriso de canto de boca, posso perceber o que seus olhinhos apertados estão tramando! Ela está contra mim, ela está contra mim, estão todos contra mim aqui nessa merda de escritório... Mas que se fodam todos eles! Enquanto eu estiver aqui, seguro na minha baia, de frente para o meu computador, eles não podem fazer nada comigo.


Merda, ela levantou, foi falar com a chefe. E a chefe adora ela, não adora? Óbvio, é uma besta quadrada! Burra, não vê que todos eles estão maquinando sua derrocada? Eu vi quando a recruta passou com a bandeja de café e sorrateiramente pingou duas gotas de cianureto na xícara da chefe. Eu poderia ir até lá com minha AR-15, subir na mesa, metralhar todos os conspiradores e salvá-la. Com certeza assim eu seria efetivado.

Bah... Mas o que é que eu estou querendo? Ser um capacho a vida inteira? Não, minha missão aqui é clara, conquistar vinte e quatro territórios à minha escolha. O bandejão, o almoxarifado, o arquivo e o pessoal da portaria já são meus. Essa é a melhor maneira de se iniciar uma insurreição, amealhando os mais humildes, aqueles que são tão dispensáveis para eles quanto você, mas que se encontram num patamar ainda mais inferior que o seu. É, um dia eu vou me levantar dessa cadeira, sair da minha baia e marchar vitorioso até a sala da chefia, os traidores que tentem me apunhalar pelas costas para verem o que é bom pra tosse, hehe!

Sinto dores que começam na cabeça e se espalham por todo meu corpo. É como se cada poro da minha pele estivesse berrando. E os suores e as alucinações e as palpitações noturnas. Eu devia estar mais alerta, deixei que um estilhaço de granada atingisse minha coxa direita num confronto com o inimigo. Droga, como não percebi que ela se esgueirava por entre as máquinas de xerox? Quem foi o idiota que fez o uniforme dos inimigos em tons de bege e cinza? Assim eles estão sempre camuflados entre a mobília e maquinário velho dessa redação. Talvez o mesmo idiota que tenha feito o meu uniforme em tons de bege e cinza também...
Estarei ficando paranóico? Não tenho mais aliados, perdi o pessoal do bandejão, do almoxarifado, até mesmo a brava e fiel resistência do arquivo. Ratos!!! Eu ficarei aqui, sozinho, tenho 17 balas e um fuzil, eu posso me virar sozinho, eles não vão me destruir, não, não vão...

Escutei uma explosão ao fundo, as luzes se apagaram, caiu o sistema! O CAOS!!!! Era o que eu estava esperando, minha hora de atacar! Peguei meu fuzil, tive que fazer muito esforço para rastejar em direção a sala da chefia, o estilhaço de bala infeccionou minha coxa e acabou por gangrena-la. Mas não seria uma perna gangrenada e essa febre alucinante que me impediriam de continuar minha missão. Matar meu chefe, me tornar um novo chefe. Essa é a única vitória possível nessa merda de mercado de trabalho.

Agora estou aqui, caído de costas, a bunda pra cima, tremendo, patético, com uma faca encravada nas costas. Na escuridão, a caminho do meu alvo, não notei que alguém mais rápido, mais esperto e mais dissimulado me seguia. Um golpe fundo e eu sou história, vou ficar estirado aqui, esperando todo o resto de energia ser drenada do meu corpo pouco a pouco enquanto alguém continua nesse jogo.
Game Over, até a próxima facada.

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou

Tudo bem, você não comemora Natal porque como adolescente roqueiro, revoltado e desgostoso da vida não crê no nascimento do filho de Deus. Agora, vem cá, e com o Ano-Novo, qual o seu problema? "Pau no cu do reveillon, pau no cu do Nelson Motta! Abaixo o calendário romano! Eu não acredito na contagem dos dias, quem disse que tudo tem que começar em janeiro?!". Tipo isso?



Vem cá, se a festa é sua, se a festa é nossa... Quem foi que convidou o Faustão?

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Textículos românticos (apenas mais uma de amor)

Quando Márcio escreveu um bilhetinho numa folha rasgada de caderno espiral dizendo que "queria conssiliar a vida dele com a dela", Lurdes achou bonitinho. Afora o fato de ele ter passado o bilhete dobradinho no meio de uma aula de química sobre fusão de elementos. Lurdes achou aquele pequeno erro ortográfico de uma singeleza quase pueril e se viu perdidamente apaixonada. Até o dia que Márcio pediu para refretir (sic) sobre a relação, dizendo que precisava sair com outras pessoas. Aí não teve jeito, traição ela até perdoava, mas analfabetismo funcional era demais. Refretir, ora bolas!

terça-feira, novembro 23, 2004

Dez coisas que eu odeio em você

1- Vjs da Mtv. Esse é auto-explicativo.
2- Fotologgers em crise. Porque pior que uma adolescente egocêntrica, só mesmo uma adolescente depressiva.
3- Homem sensível. Se um homem perguntar seu signo ou disser que escreve uns poeminhas, fuja! Ele só quer te comer!
4- Atores que dizem que seu personagem foi "um presente" do autor da novela. Essa linguagem de ator formado no Tablado me dói a alma.
5- Fãs do David Bowie. O cara é o Caetano Veloso britânico e isso já diz tudo.
6- Mulheres que querem viver um Sex and The City da vida real. Se você gasta 500 reais num sapato você não é glamurosa, é estúpida. E rica.
7- Meninas que dizem que odeiam falsidade e amam a vida e os amigos. Sério, você vive dentro de uma revista Capricho?
8- Pedro Luiz e A Parede. Nada mais carioquinha classe média festiva que o som dos caras.
9- Pessoas que escrevem miguxah, aki, gatuxo,voxe. Porra, quando foi bonito parecer retardada?
10- Camisa de malha por cima de uma camisa social. Existe uma razão pro cara do Queer Eye For The Straight Guy usar aquilo, ele é gay!!!! E você?


segunda-feira, novembro 22, 2004

Television Addict IV

Dia 12/11/2004 - Devido aos baixos índices de audiência, a produção decide colocar um novo integrante no squat. O escolhido é o ex-cantor, ex-viciado, ex-pastor evangélico Rafael Ilha.

Dia 19/11/2004- O programa é cancelado. /lady_luXXX é convidada para posar nua novamente. Agnostic Frota decide se tornar ator de filmes XXX rated. XGen-EricX e PositivEd montam uma banda moshcore juntamente com Rafael Ilha, agora convertido em vegan straight edge. Diamond headxxx decide abandonar o sxe... Cenoura permanece algemado no portão do squat.

A Comuna dos Artistas Libertários, apesar do grande sucesso e das constantes mudanças de regra (regra não, decisões consensuais, já que regra é coisa do sistema) foi um grande sucesso. Mas chega ao fim sem vencedores já que os participantes eliminados não tinham para onde ir e o vencedor abdicou do seu prêmio porque não acredita em vencedores.

Television Addict III

12:13 hs- mongo_linhaaaaa conversa com/lady_luXXX e Dhominination. Ninguém entende o que mongo_linhaaaa diz.

12:15 hs- mongo_linhaaaa chora escondido porque ninguém entende o que ela diz: "Eu xoh quiria c miguxah di todux ux fofuxuuuux daki".

13:27 hs- Dimamond headxxx e XGen-EricX discutem por causa da prova do líder. Diamond headxxx diz que precisa de 500 mil muppys como qualquer um ali. XGen-EricX diz que "se eu uso mad rats o pobrema (sic) é meu, o pé é meu e o tênis é meu!". Quem merece ficar no squat? Vote pelo telefone 0800 24888169

13:42 hs- Agnostic Frota ajuda /lady_luXXX a malhar na academia DIY do squat. Veja fotos

Na Comuna dos Artistas Libertários os membros decidem fazer um protesto contra a Rede Globo. Nús.

14:21 hs- Cenoura decide dar fim a sua greve de fome.

14:37 hs- Ameaçada de ir para o paredão /lady_luXXX tira fotos nua na piscina e posta em seu fotolog. Ela é gold cam.

15:00 hs- /lady_luXXX recebe um convite para posar nua no site Acid Girls. Ela decide pensar na proposta.

15:47 hs- A produção do programa organiza uma verdurada-surpresa para os membros da casa. A banda convidada é o Dance Of Days. veja as fotos

16:00 hs- Os BBHs decidem boicotar a verdurada.

16:01 hs- PositivEd acha que boicotar não é muito posi, mas prefere ficar calado. XGen-EricX não acha nada, mas faz o que toda a casa faz.

16:13 hs- Dhominination ensaia uma vaia coletiva com os outros moradores.

16:14 hs- Dhominination vai até o jardim da casa apertar as mãos dos membros da banda.

16:22 hs- Agnostic Frota agride o vocalista da banda sem razão aparente.

16:45 hs- Ameaçado de ser eliminado Cenoura decide protestar algemando-se ao portão do squat.






quinta-feira, novembro 18, 2004

Television Addict II

Acompanhe o dia-a-dia dos moradores do squat mais famoso da televisão brasileira. Minuto a minuto, todas as novidades para vocês:

10:30 hs- Os participantes acordam ao som de Maroon. "Ninguém merece!" comenta /lady_luXXX. Realmente, Maroon ninguém merece mesmo!

10:42 hs- Agnostic Frota e Diamond headxxx brigam pela quantidade de proteína vegetal texturizada no café da manhã.

11:00 hs- Cenoura decide fazer greve de fome no jardim do squat enquanto /lady_luXXX e mongo_linhaaaaa se bronzeiam na piscina. veja fotos

11:24 hs- Na primeira prova do dia, os BBH são obrigados a distinguir sete bandas da Trustkill.

11:47 hs- XGen-EricX é o campeão da prova e líder da semana. veja fotos da prova do líder

12:00 hs- Na suíte do líder XGen-EricX recebe uma cesta de produtos Superbom. Os demais almoçam batatas com carne de soja.

12:02 hs- Dhominination, Agnostic Frota e XPositivEdX planejam votar em mongo_linhaaaa no primeiro paredão.

12:11 hs- No confessionário XPositivEdX diz que não acha muito posi organizar um complô contra mongo_linhaaaa.

Enquanto isso, na Comuna dos Artistas Libertários todos ainda estão dormindo. Juntos.

terça-feira, novembro 16, 2004

Television Addict

O programa mais bruto, bruto, bruto já transmitido via Embratel, o show que está finalmente mostrando a força do hardcore do terceiro mundo, o primeiro reality show true till death da TV brasileira...

XBig BrotherhoodX


Agnostic Frota, ex-straight edge, ex-vegan, ex-líder de banda, atual casca grossa; /lady_luXXX, musa do fotolog e groupie; Dhominination, político, intrigueiro e dono de gravadora independente; Cenoura, militanteanarcoveganpunkdoCMI; mongo_linhaaaaa, emo, pré-adolescente e retardada funcional; PositivEd, tatuador, positivo e chato de galochas; XGen-EricX, straight edge rebelde porque a vida quis assim e Diamond headxxx, playboy, elitista e mosheiro mutcho loco.

Todos eles estão em busca do prêmio de 500 mil sacolés de Muppy, mas só um sairá vencedor desse verdadeiro firestorm televisivo. Acompanhe pelo site, vote pelo telefone e fofoque pelo Mirc!

Confira o dia-a-dia dos participantes do squat mais famoso da tv por assinatura através do pacote de voyeurismo internético parasita e improdutivo. Assinando o pacote exclusivo você leva também 24 horas do programa mais pau no cu do sistema do mundo, Comuna dos Artistas Libertários, o reality show que quer destruir a sociedade cristã ocidental com falta de higiene e música ruim!

quinta-feira, novembro 11, 2004

Um ensaio sobre um ensaio - ato final

(Curta passagem de tempo)

Bt- Agora que tudo acabou, diz aí, tu tava falando de mim, né?! Pode falar, eu não vou ficar puto. Eu sempre soube que tu desconfiava de mim...
G2- Desculpa a franqueza, você sabe, sou um homem que fala as coisas na cara, sem meios termos, sem covardias, à moda antiga. Eu tava sim! Eu vi você tomando cerveja outro dia quando cheguei na sua casa. (acusatório)
Bt Pô cara, era cerveja sem álcool, a preferida de nove entre dez sxes. Tu nunca viu isso?!
G2- Cerveja para sxe?! Sério? Isso já existe?
Bt- Sério, pô! Tais brincando, tu nunca provou?
G2-Xiiiiiiiii...

Um ensaio sobre um ensaio- segundo ato

G1- Aí gente boa, agora que todo mundo comeu, todo mundo bebeu, me veio um negócio à cabeça.
B- Diga lá.
G1- Qual vai ser nosso rótulo agora? Não podemos ser mais o Hammer of Justice- VeganStraightEdge band. E as letras, o que a gente faz com elas?
V- O que tem as letras?
G1- Pô, como a gente vai cantar coisas como : “Kill the carnivorous”, “ Straight edge written on my coffin”, “If you drink you should die right now” se aqui todo mundo come carne e bebe?
Bt- Putz, o cara tá certo! Nem tinha me tocado disso.
V- Calma gente, calma! Enquanto nós comíamos eu pensei, de agora em diante nós vamos ser Hammer of Justice- Political metal hardcore band.
G2- Banda política é uma boa, banda política todo mundo gosta, dá mó ibope. Quem sabe a Evolution até lance a gente?! Ninguém liga pro que você faz se tuas letras são políticas...
G1- É, eu sempre quis cantar umas coisas diferentes dessa ladainha chata de vegan e sxe. Fazer umas letras de esquerda, a favor da reforma agrária...
B- Ih, letra de esquerda? Lá em casa todo mundo é PFL!
G1- E daí, se todo mundo na sua casa passar a comer merda tu vai comer também?
B- Não, idiota! Mas se eu começar a fazer essas letras aí, ainda mais com o Lula na jogada, sei não... Meu pai já tá todo puto, aí que ele não me dá mais mesada. Nem deixam mais a gente ensaiar na garagem lá de casa.
V- Pô, então a gente podia fazer umas letras de briga, bem gangueiras, bem “tuff guy” mesmo! Saca só, Hammer of Justice- tuff guy hardcore from the streets band!
Bt- hahaha! Orra mano, tu não mata nem mosquito, vai fazer letra sobre briga com esse físico aí?
V- Oh, não esculacha não, valeu?!
B-... A gente podia fazer umas letras de amor então, que tal?
G2- Mas letra de amor e metal não combina.
Bt- Não combina mesmo. Pra falar de amor tem que ser emo.
G1- Ah, ninguém mais escuta emo, cara! Duvido que a Evolution lance a gente se a banda virar emo. É virar emo e não tocar mais em lugar nenhum.
V- Pelo menos ia começar a aparecer umas menininhas no show, além de uns metaleiros toscos.
G2- E o que a gente faz com as músicas? Vai ter que compôr tudo de novo.
V- Vai nada, é tudo igual! É só diminuir um pouco a velocidade e eu cantar mais chorado.
G1- Pô, de repente é a boa mesmo, se a gente tocar emo dá até pra faturar uma grana. Tu num vê essas bandas aí, tão tudo assinando com majors, tocando direto na Mtv.
V- Já tô até vendo, Hammer of Justice- emotional lovin’ band.
Bt- Ah mano, emo é uma bosta! Se for pra tocar emo eu tô fora, não quero nem saber!
G1- Oh, se ele sai eu também saio. Além do mais essas paradas aí de virar banda grande, sei não... Eu sou punk!
G2- Ah, punk de cu é rola! A única coisa que tu ouve é Sex Pistols! Se não fossemos nós a te mostrar as bandas tu ia continuar tocando com aqueles bêbados fudidos pra sempre. Quando tu entrou na banda tu não sabia diferenciar Scholastic Deth de Septic Death! Um absurdo!!!!
G1- Pô, deixa o cara... Por acaso o hardcore é alguma porra de competição pra ver quem conhece mais bandas?
G2- Tu só fala isso porque não tem dinheiro pra comprar cd!
G1- Vou te falar uma coisa, antes ser um tosco sem dinheiro que ser um playboyzinho que quer pagar de gringo.
B- Ih, peraí… Qual o problema de ter grana, cara? Você sempre falou isso como se ter dinheiro fosse um defeito, como se o fato do cara ter mais grana não deixasse ele entrar na merda do teu “clubinho do hardcore verdadeiro” !
V- Gente, gente... Vamos pensar na banda!
Todos- Ah, vai tomar no teu cu, porra!!!!
V- Se vai começar a ser assim, vão se foder, tá legal!?!?! Eu bebi e comi carne pra que não falassem da gente!Logo eu! Eu! O cara que fala com quase todos os outros caras das outras cidades que realmente interessam.
G1- Tu é um péla saco, isso sim!
V- Ah, vão a merda, eu nunca precisei de vocês, eu vou montar uma banda sozinho!

G1- Eu também quero que se foda, eu sempre odiei tocar esse som, eu vou é voltar a tocar cover de Exploited no Cérebros Atômicos!
G2- Ah, eu já tô velho pra isso mesmo, já tá na hora de eu largar essas coisas de show, de banda... Vou arrumar um emprego, seguir carreira, esquecer dessa estória de hardcore...
B- Eu acho até bom que a banda acabe, lá em casa ninguém nunca gostou desse papo de eu ter banda mesmo, essas coisas agressivas que a gente cantava.

Bt- Agora que a banda acabou eu vou é voltar pra igreja!

Fim do segundo ato