domingo, março 30, 2008

Se o cinema nacional daqui é assim...

E essa nova polêmica em torno do Glauber Rocha, hein? Não sei se os não-leitores d'O Globo ou os não-habitantes da muy hermosa Guanabara estão sabendo, mas umas semanas atrás o Marcelo Madureira do Casseta & Planeta num debate sobre cinema (sim, realmente, o que fazia Marcelo Madureira num debate sobre cinema, discorria sobre o filme do Seu Creysson? Enfim...) disse que Glauber Rocha era uma merda. Foi o suficiente para essa classe honrada que é a de diretores de cinema brasileiros se levantar em revolta contra a opinião alheia.

Um crítico de cinema chamado Dejean Magno Pelegrin, de quem eu nunca ouvi falar, disse que "as pessoas não podem dizer o que querem e depois ficar por isso mesmo". JU-RO! Não estou de sacanagem, um crítico de cinema acha que as pessoas não podem emitir opinião, afinal, onde é que nós estamos, né? Imagina se todo mundo começa aí a dizer o que pensa e ficar por isso mesmo, onde é que vai parar a autoridade de profissionais abalizados e mais perspicazes no entendimento de seja lá o que for, como o tal Pelegrin? Outra muito boa foi a declaração do Cláudio Assis, o cara que cometeu "Amarelo Manga". Segundo o rapaz, o Glauber Rocha é bom e pronto e não se fala mais nisso. Entenderam, né? Foda-se o que vocês acham, o cara é bom e pronto! Tenho pra mim que ele está tentando criar jurisprudência em casos de críticas negativas ao cinema nacional, uma bela forma de defender seus filmes de serem chamados do que são.

Mas o Cláudio Assis não parou por aí e ainda afirmou que merda mesmo é o Casseta & Planeta... O que não só prova que ele manja mais de humorísticos televisivos do que de dirigir filmes, mas também me deixa meio dividido. Pô, por mais acertada que tenha sido a declaração do diretor, o comentário do Marcelo Madureira foi a primeira coisa em anos dita por um membro do Casseta & Planeta com a qual eu concordei ou achei uma leve graça. Enfim, para os Claúdios Assis, Cacás Diegues, Pelegrins e quejandos só me resta dizer o seguinte:

terça-feira, março 25, 2008

O gnomo argentino

Gente, e o gnomo argentino, hein? Alguém viu o vídeo que, ao que parece, está bombando no youtube, sobre o gnomo filmado passeando de noite na rua de uma cidadezinha da Argentina? Pois é, pra quem não viu, é esse vídeo aí embaixo. Vão lá, assistam, é rapidinho....


Viram? Então, o que me despertou curiosidade não foi a veracidade do bicho. Tipo, caguei pratos pra existência ou não de gnomos, duendes, leprechauns, ogros e o caralho a quatro. O que me deixa realmente curioso é por que essas maravilhosas descobertas nunca são registradas por gente capaz? E capaz, assim, em todos os sentidos. Na boa, eu nunca vi um vídeo (fosse do monstro de Loch Ness, do Sasquach ou do ET de Varginha) que tenha sido filmado por alguém que entendesse de foco ou angulação! É sempre uma merda onde você tem que acreditar muito que aquela porra de borrão é um alienígena, um monstro ou o Elvis Presley fazendo compras de cuecas.

E por que esses vídeos sempre vêm de lugares inóspitos? Esse veio de Salta, uma província no extremo norte da Argentina... Puta lugarzinho merda pra um gnomo resolver dar as caras, hein?! Sério, se eu fosse uma criatura meio mística ou uma anormalidade maravilhosa, sabe quando que eu ia querer passar despercebido? Má nuuuunca! Ia tratar de aparecer no meio na torcida do Flamengo, em dia de final com Fla x Flu. E ainda seguraria um cartaz escrito "Galvão, filma nóis! Eu já sabia!".

Outra coisa que é bem comum nesses vídeos é que quem filma ou divulga nunca é, digamos... alguém em quem você acreditaria de olhos fechados. Pode reparar, são sempre umas figuras com pinta daqueles seguidores de Raul Seixas, seja nas excentricidades ou só no apreço por aquela que matou o guarda, if you know waht I mean. Olha a pinta dos meninos desse vídeo, a-pos-to que tavam na rua aquela hora fumando droga e pichando muro. Aposto!



segunda-feira, março 24, 2008

Separados no nascimento: Nobody cares edition

Fernando Meirelles, o diretor de sucesso que paga mal seus estagiários

E um dos caras daquele Mythbusters que eu não sei o nome (É o de óculos, não o que se parece com um art fag francês esteriotipado)

sábado, março 22, 2008

Invejinha branca

Dentre as muitas coisas que eu invejo na vida dos outros, uma em especial faz questão de me bater na cara toda vez que eu entro nas fotos do orkut de pessoas totalmente ou quase desconhecidas (o que ocorre com frequência anti-natural, admito). Sim, porque esse é um vício que preciso confessar, eu passo horas de minhas noites insones decifrando o comportamento de estranhos através das fotos que eles postam. E as que eu mais adoro e admiro são aquelas montagens lindas, geralmente do rosto da pessoa (em 99,9% dos casos, uma menina) com uma paisagem idílica em tons de lilás, uma rosa e uns grafismos meio líricos. A legenda dessas fotos eu até decorei: "montagem que fulaninho (em 99,9% dos casos, é um infeliz que não pega mulher) fez pra mim. Adorei!" seguido de diversos emoticons.

Não por acaso, essas meninas que tem fãs no próprio orkut que se dispõem a fazer esse tipo de mimo no photoshop são as mesmas que possuem comunidades como "Sua inveja é o combustível do meu sucesso", "Eu não me acho, eu tenho certeza" e "Sou legal, não tô te dando mole!". Ah sim, elas também fazem parte daquelas exclusivas tipo "Só Gatas - Orkut VIP" e se definem através de uma música do Lulu Santos ou " eu sou daquelas que tu gosta na primeira, se apaixona na segunda e perde a linha na terceira", do poeta maior dessa geração. Um lance, tipo assim, de nível.

Será que é por não ter tais predicados que eu nunca ganhei um presentinho desses? Sério, fica a dica, hein?! Quem quiser me agradar pode fazer uma montagem minha que eu deixo, tá?! Já até separei uma boa quantidade de fotos em poses meigas para vocês usarem à vontade.*



*(Preciso de amigos urgentemente, tá foda... Por favor, olhem pra mim!)

Beast-lazy


Dentre as muitas coisas que eu não compreendo sobre o Ozzy Osbourne, o porquê dele ter querido se fantasiar de bicho-preguiça macabro pra fazer essa capa continua em primeiro lugar depois de todos esses anos.

terça-feira, março 18, 2008

I don't wanna hear it

Pequeno compilado de frases que, caso eu fosse rico e/ou ditatorial o bastante, ordenaria que fossem sumariamente proibidas:

"O importante é entrar respeitando o adversário e saber que o importante é garantir os três pontos...", dita por algum jogador de futebol tentando parecer concentrado - Primeiramente porque é de um cinismo atroz um jogador que não preza nem o próprio sobrenome e não cansa de fazer merdas colossais vir falar justamente em respeito. Além do mais, é ignorantemente óbvio dizer que o importante são os três pontos. Ou eles acham que alguém na vida real levava à sério o Barão de Cobertin?

"Somos uma banda de rock, simplesmente. Esses rótulos são uma invenção da mídia", dita por algum integrande de banda horrível publicamente envergonhado com sua carreira pregressa - O que me irrita nessa frase é que se auto-classificar como 'banda de rock' é tão abrangente e vago quanto responder "sou terráqueo" ao perguntarem sua nacionalidade. Rock nada, você é emo, EEEEEEMOOOOO!!! Aceite a realidade.

"Cara, o Marcinho é quem mais joga na casa. Ele é muito jogador, é que a edição favorece quem quer!", dita por algum ex-participante do Big Brother Brasil eliminado prematuramente - Aqui a coisa é uma questão de falta de aviso: O programa é um jogo. A coisa mais corriqueira, natural e óbvia é que jogadores joguem quando em um jogo, porra! Na boa, nem para o QI de um participante de reality show da TV Globo é difícil captar isso, né?!

"Pra essa coleção eu me inspirei em Toulouse-Lautrec e nas formas bem delineadas dos figurinos dos cabarés. Há também uma clara referência do grafite e da música Disco, além de anotações do meu diário e em Bené, meu gatinho", dita por algum estilista mutcho loco em entrevista ao GNT - Convenhamos, dado o tipo de pessoa que leva moda à sério, seria bem mais digno responder simplesmente que não sabe o que é aquilo, que rabiscou qualquer coisa, cortou uns panos e jogou em cima de um bando de modelos. E foda-se!

"O cinema norte-americano vem dando claros sinais de esgotamento há pelo menos vinte anos, e essa premiação do Oscar é a prova incontestável!", dita por - quem mais? - José Wilker na transmissão do evento - Além de uma preguiça tamanha para tudo que o José Wilker faz, diz ou representa, o que me irrita nesse tipo de declaração é a dor-de-cotovelo mal disfarçada. Pois é, Zé, bom mesmo era "O Homem da Capa Preta"... NOT!

"Adorei o filme! Ele é ótimo, recomendo. O cinema nacional está de parabéns", dita por algum ator da Globo ao Video Show - Nem tanto pela falsidade, mas pelo corporativismo desavergonhado. Ou alguém realmente crê que um ator de novelas foi assistir "A Máquina", "O Coronel e o Lobisomem" ou "O Homem que Enganou o Diabo" por livre e espontânea vontade e não fez todos esses elogios apenas por se tratar de uma produção da casa, com atuação e direção dos seus colegas e superiores?

sexta-feira, março 14, 2008

Eu leio a edição nacional da Rolling Stone, tá?!

Acabei de comprar a Rolling Stone desse mês. É com um pouquinho de vergonha que eu admito que achei bonito os irmãos Cavalera terem se reconciliado. Acharia mais bonito se eles tivessem se reconciliado e torpedeado o Sepultura, mas enfim... O que me impressionou mesmo foi comprovar na foto que o Max, depois de anos e anos batalhando nos campos da baranguice, virou uma mistura de HR com Naná Vasconcelos. Só que branco! Bizarro, cara cansada e colarzinho de conta de um, dreads e pinta de mendilouco do outro. E aproveitando o ensejo, já que eles voltaram a se falar, o Max como irmão mais velho tem o dever, o DE-VER!, de obrigar o Igor a retirar imediatamente o segundo G do seu nome! Bicho, se fosse um dos meus irmãos, aaaah...




- Meu nome é Áigggggggggor!

-The bourgeiosie had better watch out for me!



E uma dúvida? O que será que acontece se publicarem UMA edição da revista que não traga nenhuma menção ao CSS ou ao Bonde do Rolê? Será que ela se auto-decompõe, explode antes de chegar na banca? Estou desconfiado de uma versão hype do velho caso Rock Brigade/Angra.

Tipinhos cariocas

Antevendo tal qual um Nostradamus tatuado o final da cidade do Rio de Janeiro como a conhecemos, decidi catalogar aqui alguns espécimes tipicamente carioqueiros para que, sei lá, no futuro isso ajude alguém a entender como a gente viveu e, mais importante, porque essa merda aqui afundou! E como sou um rapaz educado, que estudou em colégio religioso e tirava dez em Moral e Cívica, iniciarei esse estudo aprofundado pelos espécimes mais antiquados, mas ainda vivos e bem característicos de nossa fauna. Senhoras e senhores, vos apresento o coronel reformado copacabanense:

O coronel reformado copacabanense (figueiredus praianus) é uma das mais típicas figuras litorâneas do Rio. Encontrado em profusão no famoso bairro da zona sul, dividindo seu espaço nas calçadas com pombos, travestis, piranhas da Help e demais aposentados, tal figura é facilmente reconhecível pela vestimenta. Uma sunga. Exatamente, abdicando da formalidade dos tempos de caserna, o coronel reformado reduziu a indumentária ao extritamente necessário, a saber: uma sunga, tênis de correr com meia e um óculos escuros estilo Figueiredo (e o mais incrível está na dicotomia de considerar a meia essencial quando todo o resto se tornou supérfulo para ele). E pra que mais, não é verdade? Assim paramentado, o coronel reformado está pronto para frequentar a rede de vôlei do Posto 6, ir a padaria de manhã, comprar o jornal e fazer suas longas caminhadas pela orla.

A caminhada pela orla é, juntamente com o jogo de peteca e os almoços no Clube dos Marimbás, uma das três atividades principais do coronel reformado copacabanense. É em meio a essas atividades, sempre na companhia de outros oficiais da velha guarda, que o coronel pode discursar sobre a atual situação do país, sobre a quantidade de mendigos infestando as esquinas do bairro e combinar uma votação coletiva no Jair Bolsonaro para as eleições vindouras. O coronel reformado copacabanense ainda sonha com a volta do regime militar pra dar um jeito nessa zona.

A preocupação com o futuro e a saudade de quando ele mandava torturar uns universitários subversivos e dar sumiço nuns mendigos povoam a mente do coronel. Ah, e a época de sua junvetude, onde a diversão era mais ingênua e sadia! Aqueles tempos onde as meninas eram curradas nas festinhas e os garotões se reuniam pra espancar viado no Arpoador. Hoje em dia o coronel se queixa muito do rumo que seus netos andam tomando na vida. A garota sai toda noite com umas roupas esquisitas e só volta de manhã, já o netinho tem umas companias estranhas e agora decidiu fazer design na PUC. Assim o coração do coronel (que é safenado) não aguenta!

Mas o coronel reformado copacabanense é antes de tudo um bravo e não esmorece. Conta com o fiel apoio de sua esposa, dona Lila - Aliás, a esposa de coronel merece um capítulo a parte. Quer dizer, um capítulo não, um sub-capítulo... Ou uma notinha de rodapé. Apesar dos pesares, o coronel reformado copacabanense vai continuar acordando cedo, vestindo sua sunga, confabulando com os aposentados da roda de buraco do Posto 6 e dando ordens no porteiro, que ele nunca viu, mas tem certeza de que bebe no serviço e dorme escondido.

quinta-feira, março 13, 2008

Parem as rotativas!

O REM acaba de lançar o primeiro clipe de seu novo álbum que só sairá dia 1º de abril. Há alguns meses o Radiohead numa atitude inovadora disponibilizou seu novo disco na internet para que os fãs pagassem o que considerassem justo por mais essa obra do quinteto britânico. Parecido fez o projeto de Trent Reznor, o Nine Inch Nails, que disponibilizou cinco músicas de seu novo projeto gratuitamente para os fãs no site da banda. Há também a possibilidade de, por apenas cinco dólares, se comprar todo o álbum digitalmente.








Em nota paralela, Luiz Menezes, editor solitário desse blog, declarou "Foda-se, estou muito ocupado ouvindo Artillery!"

segunda-feira, março 10, 2008

Um é dois, três por cinco real

Não é que andar de ônibus seja de todo ruim. Há sempre a excitação de não saber se você será assaltado, se o motorista é um suicida, se ele vai querer parar no seu ponto, se ele vai mesmo cumprir o itinerário sem tentar um atalho que exclui justamente o seu destino ( já passei por isso duas vezes). Enfim, andar de ônibus é uma experiência lúdica e cheia de surpresas, uma espécie de bingo automotivo! Chato é só mesmo aquele cara que entra sem pagar passagem pra vender doce.

Assim, do ponto de vista mercadológico-cameloeiro é a melhor invenção do século. Pensa, você consegue inserir um vendedor - e não um vendedor qualquer, um com uma puta capacidade de convencimento pela repetição - num trajeto entre o ponto A e o ponto B feito a uma velocidade média de 50 kms/h. Se vivessemos numa sociedade de pedestres, seria como ter a compania de um queniano te empurrando caneta, chokito e bala de iogurte enquanto você tenta disputar uma maratona.

O vendedor geralmente aparece quando você menos imagina e nos horários menos prováveis. Afinal, quem é que tem estômago para torrone argentino às 8 da manhã? E quem vai se importar com a porra de uma caneta Big (isso mesmo, a caneta é Big e não Bic, pode reparar!) quando está cansado voltando pra casa? Mas é "o passatempo da sua viagem e a alegria das suas criança"(SIC). Sério, sabe qual seria um excelente passatempo pra minha viagem? NÃO ter alguém me empurrando o delicioso bombom de leite condensado, pacotes de bala de café e um suspeitíssimo Suflair - aquele mesmo que "nas lojas Americanas e padarias, senhores, vocês encontram por três reais, mas na minha mão, senhores, três é cinco".

Todo o potencial de concretizar o negócio está no discurso do vendedor. Ou ele é tão chato, repetitivo e num tom monocórdico que você compra só pra ver se ele pára de falar, ou é feito na base da intimidação subjetiva. Esse é o meu preferido, tenho que confessar. "Eu podia estar roubando, matando ou pedindo, mas estou aqui, senhores, vendendo a deliciosa bala de caramelo..."; Quer dizer, ele podia estar aí roubando... você!, mas decidiu só te vender uma balinha. Você vai desagradar um cara que entre te matar e vender doce ficou com a segunda opção? Eu não, na boa.

sexta-feira, março 07, 2008

Vá ao teatro, mas não me chame

Ator de novela brasileiro é algo que invariavelmente provoca todo um manancial de vergonha alheia. Mesmo calado, parado, fazendo alguma pose imitada de um astro de Hollywood pro Ego, já é um lance extremamente constrangedor. Depois que essa onda de 'celebs' virou uma febre mundial então, a coisa só piorou! Sério, pior do que ver uma foto de uma gêmea Olsen vestida como uma mistura de grunge, mendigo e fantasminha Pluft de festa de aniversário, só mesmo ver a Deborah Secco tentando ser uma versão pixulé disso aí. Agora, onde o ator de meia-tigela realmente se supera na capacidade de criar um train wreck da cara de pau é quando ele decide se aventurar no teatro.

Puta que me pariu, deveriam reanimar o Nelson Rodrigues somente para que ele saísse das tumbas e cuspisse em cima de todos esses clichês teatrais que atores obtusos da Globo adoram repetir macacamente como se fosse algo genial. Começando pelo fato dessas montagens serem uma puta armação, um lance feito para arrecadar grana, sem a menor interação entre os atores e a realização do texto. Chama a gostosinha que tá fazendo um papel de época na novela das seis, aquele galã meio esquecido, arruma um texto bacana e chama o João Falcão pra dirigir com cenografia da Bia Lessa. Pronto, taí o espetáculo montado e com fila na porta.

Assim, nada contra armações. Caguei pra essência e a pureza do teatro, mas já que o lance é todo um grande engodo, não rola de poupar a gente do discurso de atriz/ator realizado pela experiência transcendente? Ou ao menos inventar uns novos, porque eu juro que eu vou sangrar pelas orelhas a próxima vez que ler a fulaninha recém-saída do posto de Rainha de Bateria da escola de samba tal dizendo que "o teatro é onde eu me encontro nesse ofício lindo que é a profissão de ator". Dói, dor física, aguda e lancinante na parte frontal do cérebro, ouvir mais um merda que não deu certo como abdomen sarado dizendo "No teatro não há vaidades, aqui somos todos palhaços divinos!". Como diria um amigo meu "Páááára, por favor! Eu tenho doença, isso dói em mim!".

Outro dia no carderno de cultura uma atriz dava a seguinte declaração "Antes de pisar no palco, peço a permissão aos deuses do teatro". Alô minha filha, então, te disseram que você tá apresentando uma peça em TEATRO DE SHOPPING-PING-PING?! Vai por mim, muito provavelmente não tem nenhum deus escondido pelos corredores do Shopping da Gávea, viu? Pede permissão só a sua falta de vergonha na cara e cai matando. O que falar também de outra recente declaração de um ator que do alto de seu bom gosto afirmava que gostava de se concentrar ao som de Edith Piaf, de quem ele virou fã depois de ver o filme? Sério é tanto lugar-comum que ver o diretor da peça em questão falando que para ele "teatro é ritual" passa batido.

Eu queria ver mesmo era essa galera que gosta de brincar de teatrinho para produzir algum tipo de profundidade artística e aparecer em coluna social vomitando frases como "fulana é uma personagem mágica", "a aura do teatro é grandiosa" ou "fazer Nelson é um desafio, mas também uma bênção" caindo nas mãos de um porra louca tipo Cleso Martinez Corrêa. Vai fazer sexo grupal, ensaio de oito horas, se esfregar na lama, apresentar peça no sertão e depois vem me contar o que os deuses do teatro acharam da sua experiência, ok?

terça-feira, março 04, 2008

Fui querer ser simpático

Na academia, correndo na esteira, avisto uma ex-frequentadora assídua um tanto mudada pela ação do tempo. Resolvo puxar papo:
- E aí, tá grávida de quantos meses?
- Oi?
- Você... Grávida. Quanto tempo?
- Há quatro meses...
- Ah, ainda tem quatro meses? Achei que já tava pra nascer.
- Não, não. Nasceu há quatro meses já!
- ...






- Poxa, olhando assim ninguém diz. Cê tá ótima!

Nota mental: Nunca mais puxar papo com desconhecidos.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Quando eu for milionário

Sou um homem simples, coisas simples me agradam. A chegada de temporadas de Curb Your Entusiasm e Entourage em DVD na minha locadora, a perspectiva de sexo nos finais de semana e encontrar bonequinhos em promoção por aí já é mais que o suficiente para me deixar incrivelmente alegre. Isso e mais coca-cola na geladeira e minha conta de banco permanecendo humildemente longe do vermelho deixam minha vida bem tranquila. Feliz até. Mas nos recônditos mais negros de minha alma, entre os segredos que se escondem e só o Sombra sabe, eu guardo desejos vis e gananciosos. Devo admitir, quando deito a cabeça no travesseiro sozinho no meu quarto, fico pensando em tudo o que eu vou comprar quando finalmente for um milionário.

Claro que meus desejos passam longe de ações, imóveis, carros, iates e a alma de puxa-sacos. Porra, muito dinheiro pra mim está intimamente ligado (talvez por culpa do Dudley Moore) a hábitos pouco usuais, quase como se a montanha de dinheiro servisse como um salvo-conduto para ser excêntrico. E convenhamos, qual a graça de ser podre de rico se você não pode se dar ao direito de ser meio Liberace (mas sem necessariamente ter que dar a bunda)? Eu já tenho tudo planejado e assim que fizer meu primeiro milhão, vou torrá-lo com as seguintes coisas:

1 - Um pônei que eu vestirei com um chapéu côco, um monóculo, gola engomada e quatro polainas. O batizarei de Tommy Lee Jones e farei dele meu primeiro-ministro pessoal. As pessoas na minha casa serão obrigadas a reverenciarem Tommy Lee enquanto ele literalmente caga pra elas.

2 - Um porco, a quem chamarei de Sunshine ou Lombinhos McGee, não estou bem certo. A serventia do porco será escutar todos meus segredos e deixar que eu puxe seu rabicó toda vez que tiver entendiado. Talvez o pinte com cores psicodélicas, não sei.

3 - Uma zebra. Será meu meio de transporte.

Fora isso, encomendarei uma guarda-roupa exclusivamente branco, naquele estilo Denner, sacam? (aliás, o Dener era amigo da avó de um amigo meu, mas isso não vem ao caso) e comprarei vários anéis de rubi. Devidamente paramentado, montarei na zebra e andarei pelas ruas de São Conrado e do Baixo Leblon distribuindo moedas de dez centavos e notas de um real para a plebe ignara. Eles gritarão "Lá vem o Califa, viva o Califa!" e eu responderei "Tostões, meus queridos, tostões!" enquanto lanço as moedinhas ao vento.

Ah sim, para zelar pela minha segurança contratarei um ninja que vai na frente, abrindo caminho, enquanto passeio de zebra. E vou pagar ao Europe para que eles componham um hino em minha homenagem, hino esse que será tocado diariamente como toque de alvorada num piano de cauda branco com um candelabro de cristal em cima. Também pagarei alguma Laura para ser minha amiga (ou então trocarei o nome de minha namorada para Laura), apenas para poder dizer "coisas de Laurinha..." numa afetação tipicamente milionária.

Claro, as pessoas que me conhecem podem estar se indagando "Ué, e o macaco?". Gente, um homem precisa ter a maturidade e a coragem necessárias para assumir que não tem a profundidade sentimental para ter seu próprio macaco. Principalmente se for daquele tipo cínico, que usa smoking ou suspensórios de arco-íris e bate palma sorrindo depois de tacar merda na parede. Eu AINDA não estou, mas o futuro a deus pertence, né mesmo?

Dúvida que me consome

Afinal, é "Lambada - a dança proibida" e "Salsa, o ritmo quente" ou "Lambada - o ritmo quente" e "Salsa, a dança proibida"? Ou seria ainda "Quente, a salsa proibida" e "Dança - o ritmo lambada"?

Minha única certeza é de que o Robby Rosa protagoniza um dos dois e que ambos são obras injustiçadíssimas. Só porque a gente é latino!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Chega, com esse cara eu não toco mais!

Acabar banda é tão problemático quanto acabar namoro. É tão problemático quanto, mas é pior porque, do namoro, você pode ao menos guardar as lembranças de incontáveis fodas maravilhsoas. E da banda? Quem quer rememorar aquelas horas enfurnadas com mais dois ou três fulanos numa salinha apertada e discussões acaloradas sobre porque tocar um cover do Mudhoney e não um do Kiss? Banda é, portanto, um casamento coletivista e homosexual entre pessoas com sérios problemas de ego. Imagina o divórcio de uma porra dessas...

Primeiro tem sempre um membro da banda que vai se sentir ignorado pelos demais, que vai reclamar que suas opiniões não são levadas em conta e que, no fundo, no fundo, ele tem certeza que esse fim da banda é só uma tramóia para obrigarem-no a pingar colírio de asfalto no olho da rua. Mas não se engane, esse é o único com quem você vai conseguir manter uma amizade. Foda mesmo é tratar com aquele cara que se achava (ou o era por direito) o dono da bola. Com esse haverão discussões sobre quem realmente mandava ali, quem batizou a banda e quem fez a maioria das músicas. Em momentos como esse eu já me vi dividindo uma música em riffs para saber quem detinha mais direitos sobre ela. Juro por deus! E olha que como mesquinharia pouca é bobagem, eu o fiz pelo telefone, passando minhas opiniões para o vocalista enquanto ele discutia com o guitarrista pela internet! Deveria lançar um livro chamado "Como fazer inimigos e influenciar pessoas a fazerem merda".

Em dez anos eu já fui capaz de montar, sair, entrar e ver ruir umas quatro bandas, fora aquelas que não chegaram a ver a luz fora das salas de ensaio. E é com um misto de orgulho e vergonha que eu sou obrigado a admitir que não houve um mísero grupelho onde eu não tenha brigado com algum dos integrantes. Muitas vezes com dois, em formações diferentes. E é chato, sabe? Você encontra sua banda andando na rua semanas depois com um novo integrante, mais novo e mais bonito, e eles parecem tão alegres. Você se esforça para demonstrar alguma superioridade e que já superou tudo, "Eu também estou ótimo, brigado! Também estou vendo uma banda nova, vai ser sucesso!". Eles se afastam rumo a um show lotado e você chora baixinho ao lembrar que tudo o que conseguiu foi implorar para tocar numa banda de skacore... E eles ficaram de pensar! "Cuide bem de 'Flying high in the sky', vocês sabem, ela sempre foi nossa favorita!" você quer gritar, mas tudo o que consegue dizer é "o segredo dela é uma volta em dó ré sol antes do refrão" ao se despedir do novato.

E você sabe, as coisas não param aí, afinal, as pessoas falam. Sempre há aquele muy amigo que resolve ligar para você e contar as novas, the word in the street, por assim dizer... "Pois é cara, eu não queria falar nada, mas eu soube que eles estão tocando 'Look At Her Dancing' que você fez... Numa versão meio CPM 22!". E então você também descobre que seus antigos companheiros de banda andam espalhando que a guitarra do novo integrante é muito maior que a sua, que ele é bem mais habilidoso e que eles nem sabiam o que era um solo de verdade até ele ter tocado um. "A minha guitarra não era baixa, era o ampli deles que era muito grande. Aliás, era tão grande e eles emprestavam pra todo mundo e isso só prejudicava meu som!!!", você deixa como recado na comunidade da banda para que tooooodoooos saibam a verdade, a farsa que aquela banda a quem você dedicou os melhores anos da sua vida era. E pensar que você chegou a cogitar vender uns lances na internet pra custear a turnê pra argentina, hein?!

Mas como tudo na vida, um dia esse rancor e essa coisa mal resolvida passa. Vocês se cruzam na rua, conversam de forma sinceramente animada e alguém sugere um encontro, como quem não quer nada. Daí é a vez de se ligarem e combinarem um chope, pelos velhos tempos, sem compromisso. E não é que no dia todo mundo aparece? Mesmo aquele membro que achava que todos só queriam se ver livres dele deixou a namorada em casa e foi lá encontrar a velha turma. Todos bebem, riem e, provando que ninguém é muito racional quando se trata de um velho relacionamento quicando livre na área, decidem marcar um ensaiozinho, só pra desenferrujar, dar uma brincada. E aí já viu, a ressaca moral costuma ser duríssima!

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

No trânsito com o Louzada

Acabei de saber do falecimento do ator Oswaldo Louzada, aos 95 anos. Para quem não está ligando o nome a pessoa, Louzada era aquele velhinho que fez o papel de, bem... um velhinho numa novela do Manoel Carlos. Ele e sua mulher (que era sua mulher na vida real, vejam só!) eram maltratados pela neta ambiciosa e interesseira e só recebiam algum carinho e compreensão do netinho (que 'interpretou' um cocainômano em Cidade de Deus) e do genro. Depois, como é de praxe na Tv brasileira em geral e na Globo em especial, terminaram de forma extremamente honrosa pagando mico num programa do Chico Anysio, evitando assim a penúria do Retiro dos Artistas.

Pois bem, minha primeira reação a saber de seu passamento foi "Foda-se! Noventa e cinco anos, tava mais que na hora!", mas fiz um esforço e puxei pela memória mais um caso em que me envolvi em infotúnios com celebridades. Quando eu ainda dirigia, certa vez vinha com pressa na avenida Lagoa-Barra. Eu sempre andava com pressa quando dirigia. E como era de costume, havia um retardatário na pista, a quem eu não tive o menor pudor de ultrapassar. Acontece que nessa manobra ousada, acabei fechando brutalmente um carro e quase causo um pequenino acidente com potenciais vítimas fatais. Olhei para o lado para ver quem eu havia fechado e com a pachorra de ainda querer reclamar do coitado. E não é que quem eu havia fechado era o Oswaldo Louzada? Claro que já passados dos 85 anos na época, não era o próprio quem diriga o carro... Quem diriga era o Marcos Caruso, aquele ator careca que intepretava o genro compreensivo e boa praça do Louzada na novela. E a mulher do Louzada também estava no carro! Tipo, era a realidade imitando a ficção, eles de carro, como se fossem uma família feliz. Feliz, mas mal educada porque o Marcos Caruso me mandou tomar no cu. Juro, no cu!

Só me restava continuar acelerando rumo ao meu caminho, mas não sem antes lhe devolver educadamente os impropérios, como manda o curso da Socila. Me ficou marcada a cara de assustado do Louzada, ofegante com a fechada e a experiência de quase-morte. Lembrar disso me deixou um pouco com pena dele, o cara aguentou a fechada, provou ter fibra pra durar infindáveis anos, podia ter ficado e no seu lugar morrido o Marcos Caruso filho da puta que me xingou! Esse tipo de acontecimento só comprova a teoria do amigo-gênio que disse ser o Rio de Janeiro uma espécie de Los Angeles tropical, com celebridades fazendo merda e sendo obrigadas a interagir com gente barbeira e boca suja como eu.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Ela é capa de revista

Qual é o lance com essa mania de sub-semi-celebridades e playboys equivocados em geral de se locupletarem por terem pego não sei quantas "capas de Playboy"? Receber algum tipo de crédito ou valoração pela fama alheia, ou só tentar provar que eles podem comer mulher bonita? Sério, porque se for isso, não valia mais à pena eles usarem como parâmetro uma revista que NÃO estampou em suas capas tribufus do quilate de Yoná Magalhães, Betty Faria, Rosenery Fogueteira, Hortência, Marta, a musa dos Sem Terra, Bárbara Paz, a bandeirinha que roubou o Botafogo e que, há pelo menos um ano, vem caindo de qualidade a cada edição? Capacidade por capacidade, eu mesmo tenho vários amigos - apreciadores das atividades noturnas de áreas familiares como a Rua Augusta ou a Praça da Bandeira - que poderiam muito bem se orgulhar de já terem também faturado diversas capas... Da Brazil, Hustler e Big Man Internacional. E esses são sempre super-discretos, como todo bom gentleman!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Indagações pedestres

Não tendo carro e sendo obrigado a me virar para vencer os dois túneis que me isolam nessa ilha esquecida por deus que é o bairro de São Conrado, algumas características acerca desse costume moderno de nos locomovermos motorizados não poderiam deixar de me vir à mente toda vez que ponho os pés pra fora de casa. Segue abaixo uma lista de coisas que me ajudam a matar o tempo e sempre despertam minha curiosidade enquanto cruzo essa cidade e pereço em engarrafamentos homéricos.

1 Por que a pessoa que não senta no corredor do ônibus está sempre com frio não interessando o quão fustigante esteja sol ou que horas seja, deixando então a porra da janela completamente fechada, o que impede que você, pessoa normal que sente calor no verão, não tome aquela brisa refrescante misturada com monóxido de carbono no rosto?

2 Por que motoristas e cobradores de van, esses físicos amadores, estão toda hora querendo provar a falha a lei da impenetrabilidade, aquela que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo? E por que, empiristas que só, eles tentam provar sua tese enfiando o maior número de gente possível no menor espaço cabível justamente da van em que você está? E mais, por que tem gente que aceita, sendo que devem existir facilmente cinco vans pra cada pessoa aqui nessa cidade?

3 Por que nossos amigos que possuem carro são justamente aqueles que também possuem uma política comportamental muito particular, o que inclui o ato de dar caronas aos outros? Eu nunca conheci um cara de carro que fosse gente boa e desprendido o suficiente para dirigir alguns quilômetros a mais e facilitar a vida dos camaradas mais pobres e necessitados. Acho que guerra de classes é mais ou menos isso aí, né?

4 Por que todo maldito taxista lança aquele farol alto nos seus olhos te cegando temporariamente, apenas para deixar claro que ele é um táxi e, se você tiver afim, ele te leva pra casa? Será que eles pensam que essa merda de farol é de alguma forma hipnotizante, e que bastam duas piscadelas para as pessoas paradas na calçada se convencerem a pagar caro numa corrida de táxi? Ou será que eles imaginam que nós esquecemos o que estamos fazendo ali parados, então usam a piscada como uma forma de nos trazer de volta à realidade. "Podes crer, tô esperando um táxi! Ai, se ele não joga um farol alto na minha cara, era capaz de eu ficar aqui a vida toda sem saber o por quê!"

5 E por que, não contente em deixar você cego, o taxista ainda passa mais devagar e pára na sua frente, olhando pra sua cara como se VOCÊ estivesse esquecido alguma coisa? O que é aquilo, eu sempre fico pensando "será que ele me confundiu com um amigo dele? Será que ele quer informações ou vai perguntar se eu curto Deep Purple?". Talvez eles pensem que nós estamos ali parados à toa, apenas a espera de uma boa aventura ou de um taxista confiável que apareça para você embarcar sem destino, o que pintar primeiro.

6 E, finalmente, por que o governo daqui não constrói um metrô decente e não um cujo o percurso seja quase uma linha reta? Sério, e eles ainda vem com aquele papo de "metrô na superfície". Porra, se é na superfície não é metrô! E eles acham que a gente não sabe que aquilo ali é, na verdade, um ônibus? Do jeito que a coisa vai, eles vão instalar uns rikshás em Ipanema e botar uns chinezinhos pra puxar a gente até a Barra dizendo que, agora sim, o metrô atende toda a Zona Sul!

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

For those about to rock, we salute you!


Esse menino da imagem acima é o Matos, ídolo, profeta e maconheiro em partes iguais. Matos está assim fantasiado para o Dia das Bruxas de seu colégio... Em 1983! E, devo atentar para os desavisados, com detalhes idênticos ao do visual de Paul Stanley ali por 81/82. Não interessa que em 83 o Kiss já tivesse abandonado a maquiagem, Matos era desde pequeno um radical e deixava claro que a banda só valia se estivesse mascarada.


Como se isso não fosse o bastante para garantir um lugar de destaque para Matos no panteão de meus roqueiros anônimos prediletos, o cara já protagonizou uma cena de amor incontido pelo metal. Aos 8 anos de idade invadiu a sala de aula aos prantos, triste e de luto pela morte de Cliff Burton. Quer dizer, ele chorava a morte de um dos melhores baixistas do thrash metal e - creio eu - os tempos negros que passaram a acompanhar o Metallica desde então. Um profeta!


Hoje em dia eu não sei bem o que Matos faz, seu último emprego conhecido foi atendente de uma locadora de cds. Trabalho pelo qual era pago... em aluguel de cds! Amor a causa, incrédulos e infiéis, é isso que Matos nos ensina com seu gesto abnegado e desprovido de ganância.


Existem outros detalhes que elevam essa imagem a condição de certificado da genialidade de mais um judeu engraçado. Se liguem no tamanho das caixas de som e na gigantesca samambaia no meio da sala (imagina o tamanho do xaxim!) que fazem cenário para nosso roqueirinho. E o que dizer da calvíce hiper-precoce que Matos ostentava por cima da faixa roxa? Tudo isso é poesia imagética para mim. Sem contar que para a mesma festa o irmão do Matos foi fantasiado de Mestre Yoda, mas isso já é outra história...


For those about to Matos, we salute you!