sexta-feira, junho 04, 2010

Elma Chips way of life

Ontem enquanto passava mais uma  madrugada insone, fui atacado por um caso forte de larica noturna. Sem titubear, corri até a cozinha e agarrei o primeiro pacote que vi na despensa, não sem antes encher um copo de coca-cola. A operação teria sido um sucesso se o pacote em questão não fosse outro do que um de Stiksy. STIKSY, senhoras e senhores! O salgadinho mais sem graça da história, a ovelha negra da Elma Chips! Pra quem não se lembra, trata-se daquele pretzel que nem ao menos se dá ao trabalho de vir entortadinho, sendo, basicamente, um graveto salgado. E a embalagem, ainda por cima, tinha a pachorra de comentar "Ele voltou!!!", assim mesmo com três pontos de exclamação. Uau, isso é sério?! o Stiksy voltou, preciso atualizar meu status no facebook e espalhar a boa nova... NOT! Sério, será que os executivos da Elma Chips realmente pensavam que as pessoas sentiam saudades de um salgado que, muito provavelmente, era servido unicamente por homens de bigode e mulheres com permanente em coquetéis de troca de casais no início dos anos 80? "Minhas preces foram atendidas, o Stiksy voltou, onde está meu caderninho de surubas?!". Eu poderia aceitar esse tipo de comemoração para um Cebolitos, Pingo D'ouro ou até mesmo um triunfal retorno do Baconzitos. Mas Stiksy? Vai à merda, porra!

I wanna make sweet Stiksy love with you and your lady friend

Talvez eu esteja exagerando e passando uma imagem que não condiz com a realidade. Eu não sou um TRVE apreciador de salgadinhos. Na realidade, meu último caso de amor com um pacote de salgados foi com as batatas Lays, mas como diria o saudoso Ronnie James Dio, "good things never last". Retiraram seu delicioso sabor das prateleiras dos supermercados e usaram seu bom nome para batizar uma cópia de segunda classe de Pringles. Malditos engravatados! Claro que, bem antes disso, eu fui uma criança saudável que levava uma vida regrada e, portanto, era viciado em  gordura vegetal hidrogenada e fritura a base de milho com corante e sabor artificiais.

Nos meus anos de inocência, minha guloseima predileta era, sem dúvida, cheetos. O tradicional, alaranjado, no estranho formato de bastonetes, daqueles que se parecem com bactérias ou glóbulos brancos. Minha lealdade ao salgadinho produzido por um bando de ratos assalariados na fictícia Queijolândia podia ser medida pelo fato de que, mesmo quando a Elma Chips decidiu aumentar a franquia e lançou as versões Bolinha (que cheirava a pé) e Tubinho (que tinha gosto de vômito), eu continuei representando a família Cheetos. Foi apenas quando substituíram os simpáticos e trabalhadores ratos locais pelo imperialista Chester Cheetah, o garoto-propaganda original, que me vi obrigado a tomar uma decisão. Pau no cu do sistema, fiz do meu boicote uma arma para deixar claro meu descontentamento político-social.

Uma das piores consequências da privatização


Uma divisão muito clara que havia nessa época era entre os adoradores de Cheetos e os fãs de Fandangos, que promoviam encarniçadas batalhas campais na hora do recreio. Nunca entendi quem pudesse preferir um salgadinho feito de queijo por uma merda de milho em formato de cumbuca com sabor de - oh, que original - milho. E que ainda tinha a bosta de um ESPANTALHO como símbolo. Vocês fandangueiros vão sempre me causar nojo! Ah sim, haviam também aqueles que diziam gostar de Skiny, mas esses eu não levo à sério, sei que estão apenas se enganando. Ora gente, todo mundo sabe que o Skiny foi feito para aqueles coitados cujos os pais não eram ricos o suficiente para comprar salgadinhos de verdade. Então, eu não tenho culpa se sua mãe é dona de casa e seu pai é taxista, mas não me faça acreditar que você realmente gosta de comer pedaços de isopor que foram esfregados no suvaco de um empregado numa fábrica imunda na Região dos Lagos, ok?!

Claro, não se pode deixar de mencionar outros tipos mais excêntricos, geralmente filhos de mãe solteira, intelectuais de classe média ou compositores de jingles, que optavam por sabores ousados, como o de Zambinos ou o mítico Pegaditos, em formato de patas de dinossauro (!!!). Ainda assim, mesmo os meninos mais esquisitões do colégio nunca eram vistos degustando essa merda de Stiksy. Digo isso por experiência própria, só quem já foi enganado por uma mãe desatenta que o fez acreditar que estava levando na lancheira um pacote de salgadinhos decentes, apenas para descobrir bem na hora do recreio que se tratava de um resto de Stiksy da reunião da noite passada sabe a dor de se tornar um pária aos 8 anos de idade. Pois no baile de debutantes da vida, o Stiksy é aquela menina que fazia parte do grupo jovem da igreja e morava com a avó que ninguém queria comer. A diferença é que ela acaba crescendo, reencontrando com você e te humilhando na frente das amigas depois de ter virado modelo, e aí só te resta comer um pacote de Stiksy pra se consolar... Não que isso já tenha acontecido comigo, claro.

8 comentários:

bernardes99 disse...

Eu era fã de Zambinos. Minha adoração por pizza vem desde criança.

Pedro Carvalho disse...

O gênio voltou!!!

Anelise Csapo disse...

Eu amava mastigar o fandangos e depois cuspir dentro de outros dois e fechá-los como se fosse um sanduichinho de fandangos e então COMER A NOJEIRA ! Eu comia a especiaria enquanto tomava Fanta Uva! E viu? Qual o pobrema de ser filho de mãe solteira? (yeah, essa me pegou, meus filhos são mui gentus finas)! E ser filho de taxista e dona de casa...enfim, não é isso q faz alguém ter bom ou mau gosto, né? Eu acho q o problema é não ter sido amado na infância, isso prá toda humanidade! Rá!

Menezes, o cretino disse...

Pô Anelise, mas DONDE que eu disse que existe problema de ser filho de mãe solteira ou ter pai taxista e mãe dona de casa? Eu não vejo problema em nenhum dos casos, como não vejo problema na pessoa ser filho de intelectual de classe média, compositor de jingles ou ser puramente excêntrica (nem que isso signifique comer fandangos cuspido dentro de outro fandangos, écati!).

Eu vejo problema em alguém querer que o mundo acredite que ela gosta de verdade de Skinny. Isso aí, já dizia um amigo meu, se chama afro-enganação. E aí não pode.

Douglas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Douglas disse...

Para quem não sabe, ou nem passou pela cabeça como toda a história dos famosos salgadinhos começou, o stiksy é o mais antigo e clássico salgadinho, fabricado artesanalmente desde 1959 pela família Unger, em Curitiba (hoje local de uma das fábricas da Elma Chips), muito antes de se pensar na existência da marca. É bom simplesmente porque é um clássico, sem frescuras, sem aromas artificiais, mas entendo perfeitamente os que preferem, e merecem, comer apenas produtos com aromas artificiais, com gosto de presunto, queijo, churrasco, requeijão, camarão....e por aí vai...

Veronica Dias disse...

Nossa!!! tenho 32 anos e adoro stiksy, não sou da suruba nem de reuniões. Sou uma pessoa comum que adora stiksy. Tenho aqui no meu armário..a sinto saudades do pegaditos era o único que me atraia quando criança...

Veronica Dias disse...

Nossa!!! tenho 32 anos e adoro stiksy, não sou da suruba nem de reuniões. Sou uma pessoa comum que adora stiksy. Tenho aqui no meu armário..a sinto saudades do pegaditos era o único que me atraia quando criança...