segunda-feira, dezembro 31, 2007

Sweet Home Alabama

Sabe o que não entra na minha cabeça? Porquê todo roqueiro de classe média alta cisma com esse negócio de se vestir como um caminhoneiro americano (que eles chamam de 'trucker'), um vaqueiro estadounidense (que eles chamam de 'cowboy') ou um caipijeca ianque (que eles chamam de 'redneck'). Sério, tem coisa mais tristemente subserviente, macaqueada e esteticamente equivocada que roqueiro brasileiro buscando referência no Oeste americano em plenos anos 2000? Com quem eles querem parecer, com os caras do Lynyrd Skynyrd?! Porra, nem os caras do Lynyrd Skynyrd querem parecer com o Lynyrd Skynyrd hoje em dia!

Eu nem entro no mérito do argumento chato (mas inegavelmente coerente) de que se você quer tanto seguir um modelo rústico e rural, pode ao menos optar pelo similar nacional. Admitamos, ia ser bem mais divertido ver uns rapazes que tem banda de "rrrrrrock" descendo a Rua Augusta de calça pega-frango, chinela havaiana, camisas das Diretas Já e chapéu de palha (sendo a enxada nas costas e a bóia opcionais). Ou então um guitarrista esmerilhando seu instrumento trajando um autêntico visual João Mineiro & Marciano (Milionário & José Rico também seria style). Por que essa fixação em ser trucker quando ser caminhoneiro brasileiro é bem mais rock n' roll? Andar por aí de short xavantinho da adidas, camisa estampada, boné do Clube Irmão Caminhoneiro Shell, os cornos lotados de rebite e comendo umas prostituas adolescentes de beira de estrada dá de mil a zero em termos de rebeldia e atitude selvagem.

Até porque, e isso é o que realmente me deixa incomodado, o visual obtuso típico de boné de tela, mullets, camisa apertadinha e calça agarrada com lencinho e/ou correntinha pendurada renderia a essa cambada uma curra memorável, um estupro coletivo ou uma bela surra em qualquer plaga habitada por rednecks de verdade. No mínimo! Portanto, antes de sair de casa na próxima vez para tocar no Outs, pense que se isso fosse na Lousiana ou no Arkansas, a rapaziada da pesada ia te esfolar vivo e comer seu cu pra você deixar de ser besta!

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Envelheço na cidade

Você sabe que está se tornando um carioca de idade provecta quando além de constatar que, bem, "você é da década de setenta!", suas memórias afetivas e geográficas da cidade sao da época do gel de cabelo New Wave (com glitter!) e já eram velharias na época que o Kurt Cobain ainda tava vivo. Tipos, eu lembro como se fosse ontem quando:

1 - O Ballroom, que já não existe mais, era o Oba-Oba do Sargentelli.

2 - As pessoas iam pra praia pra tomar mate com limão naqueles tonéis de metal, correr do arrastão ou pegar lata de maconha do Solana Star (meu pai fez muito desse último).

3 - O Moreira Franco, o Brizola, o Saturnino Braga e o Marcelo Allencar governavam essa cidade.

4 - Que existia uma cadeia de fast-food chamada Gordon (o símbolo era um canguru) e ela competia com o Bob's e o Mc Donald's.

5 - Quando só tinha hamburger, cheeseburger, Big Mac e Quarteirão com Queijo no Mc Donald's. E o Mc Lanche Feliz se chamava Lanche Carioca (quer dizer, quem era de São Paulo tava fudido!).

6 - Quando todos os grandes eventos da cidade aconteciam no estacionamento do Barra Shopping ou do Carrefour e não nas praias da zona sul fudendo com o trânsito.

7 - Os golfinhos de Miami e a Boneca Eva (que ia ter um bebê!) foram o programa sensação do verão.

8 - Existia Tivolly Park e diziam que a galera entrava no Trem Fantasma pra assaltar. Tinha também a estória do carrinho da Montanha-Russa amarela que caiu.

9 - Comida de rua era Angu do Gomes e olhe lá!

10 - Você podia ir a um vilarejo distante e selvagem como, sei lá, Belo Horizonte pegando um trem na Estação Leopoldina (eu sei porque eu fui com toda minha família!).

11 - Chegando a um vilarejo distante e selvagem como, sei lá, Belo Horizonte, você podia fingir que adivinhava o que acontecia nas novelas da Globo porque elas eram retransmitidas com um atraso de dois dias em média.

12 - O SBT aqui se chamava TVS.

13 - O Silvio Santosde tinha também a TV Corcovado, então passava programa Silvio Santos em dois canais simultaneamente.

14 - Dava pra passear nas dunas da Barra da TIjuca que ladeavam a Av. das Américas.

15 - A sendas dava de presente uns compactos em vinil rosa dos - olha a sacação! - Rosadinhos (sério, explicar o que eram os Rosadinhos ia demorar horas, melhor confiarem que existia mesmo).

16 - Os grandes lançamentos do Rock in Rio foram a pepsi-cola e a cerveja Malt 90.

17 - O Free Jazz Festival acontecia no Hotel Nacional, que ainda não era essas ruínas abandonadas de hoje em dia.

18 - Você tinha que usar mochila da Company e tênis da redley (o preto ou o de duas cores), que era uma cópia sem-vergonha do Vans, pra ser popular na escola.

19 - Alguns anos mais tarde, você precisava usar nauru e camisa de Bali pra pegar mulher na Well's Fargo, Resumo da Ópera ou no Reggae Rock Café.

20 - O Comando Vermelho ainda se chamava Falange Vermelha.

21 - O Casseta & Planeta ainda era dois grupos distintos: O jornal Planeta Diário e a revista Casseta Popular e ambos eram engraçados de verdade.

22 - Tinha um drive-in com sessão coca-cola ali na Lagoa, e era drive-in de verdade, não um motel.

23 - O drive-in virou um rinque de patinação, e era rinque de patinação mesmo, não um motel.

24 - O jimmy Cliff tocava uma sexta sim e a outra também no Circo Voador.

25 - As pessoas não se incomodavam em fazer compras num lugar chamado Casas da Banha, o popular CB (eles tinham um anúncio de uns porquinhos dançando o chá-chá-chá que eu lembro da música inteira até hoje!).

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Fino sarcasmo da minha modelo excêntrica favorita

"Me convida prum café na Starbucks pra eu te explicar que a Primeira Guerra Mundial foi declarada depois do assassinato do Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Sarajevo.
Porque eu, querido, eu estudei muito na vida. E ainda leio muitíssimo. E muitíssimo é acentuada porque todas as proparoxítonas são
."


Gente, ela estudou muito na vida, hein? Tá pensando o que, que ela é igual às outras, aquelas burras de pai e mãe? Ela sabe acentuar proparoxítona e lê muitíssimo. A wikipédia tá bombando no computador dela (igual no meu!).
Valeu "gata", da próxima vez você se inscreve no Brazil's Next Professora de História da 5ª série. Quem sabe você dá mais sorte?

Brazius next top módeu

Correndo o rico de queimar meu filme diante das três pessoas que lêem isso aqui diariamente, admito que eu via "Brazil's Next Top Model". Não só via como comentava com minha mãe, minha namorada e, se perdia algum episódio, assistia no youtube. Senhoras e senhores, minha vidinha é o fundo do poço! Não podia passar uma semana sem sentir aquele clima de vergonha alheia pela menina interiorana que ganhava uma prova e, como prêmio, recebia uma bolsa térmica cheia de absorventes, ou quando elas fingiam que lavavam o cabelo usando Seda Brilho Intenso. Mas o ponto alto do programa era mesmo os comentários da Érica Palomino, juro, integrei ao meu vocabulário limitadíssimo a expressão "imprime brega" e só estou esperando a hora certa de usar.

Enfim, depois da vitória da modelo santista, da refugada bizarra da carioca moderninha que eu já vi zanzando pela cena rock falida da cidade e da outra que era bonita, mas ninguém sabe explicar porque não ganhou, eu estava assim, um pouco entediado. Poxa, já não tinha mais assunto com ninguém e as quartas-feiras do Sony Etertainment Television são um pé no saco, não sabia o que fazer... Até que me passaram, tcha dan, o blog da modelo horrorosa e venenosa que se dizia excêntrica. Sério, nada melhor para matar o tempo (coisa que me sobra) do que ler os posts cheio de rancor de uma pseudo-modelo falida que não conseguiu ganhar uma gincava num concurso de canal por assinatura. Erycka, obrigado "linda", você pôs fim ao meu cold turkey de tosquice e baixaria.

Se vocês, assim como eu, adoram ver mulher feia dando pití, entrem lá: http://eryckanobrntm.blogspot.com/

Acho que Erycka tinha que escrever um livro contando todas as verdades do programa, ia vender que nem água!

Ressaca natalina - uma análise imparcial e aprofundada sobre as minhas experiências nesse período do ano

Antes de qualquer pensamento ser transferido para a tela, devo admitir que adoro Natal. É sério, por que as pessoas a partir dos 17 anos começam a achar algo adulto e de uma consciência social a toda prova falar da hipocrisia e das mazelas capitalistas do carnaval dos cristãos? ...Como se fosse a única festa hipócrita e capitalista a que estamos sujeitos! Porra, vamos deixar os cristãos relaxarem, é a única época do ano em que ser feliz não é digno de culpa e penitência para eles! E olha, numa boa, nada mais adolescente roqueiro-revoltado-que-faz intercâmbio-com-dinheiro-dos-pais escrever para praguejar contra o Natal no fotolog enquanto sua Tia Lurdinha lhe traz jogos de playstation do free shop.

Gente, Natal, via de regra, tem sempre muita comida. Isso já seria motivo suficiente para eu gostar bastante da festa, afinal, gosto de tudo que tenha alguma comida envolvida. E acho que essa minha inclinação a participar de qualquer evento que tenha distribuição gratuita de alimentos é notória, já que tentaram (e conseguiram) me convencer a aceitar trabalhos com o argumento do estilo "a grana é pouca, mas oh, o cattering é óóótimo!" mais de uma vez. Ou isso ou eu tenho cara de morto de fome. Enfim, digressiono...

Apesar de ser um entusiasta das festas natalinas, sou obrigado a aceitar seus lados negativos. Por exemplo, ganhar presentes de parentes que você, quando muito, vê uma vez por ano. É sempre um momento de constrangimento ímpar receber o presente daquela mulher do seu tio ou daquela madrinha ausente, ter que abri-lo e pensar em algum agradecimento minimamente original enquanto ela explica porque cargas d'água resolveu comprar pra você um jogo de Ludo ("seus primos adoram, então eu achei que você fosse gostar também..."). E, não sei como rola com vocês, mas comigo há ainda a presença da minha mãe potencializando a coisa com sorrisos e elogios ao presente. "Nossa meu filho, sua tia acertou, hein?!"... É mamãe, deve ser por isso que os seus você diz que vai comprar e depois o pessoal só te dá o dinheiro.

Agora, pior que presente ruim de parente distante só presente ruim de gente muito próxima. Juro, fico mal com essa obrigação que nego sente em comprar presente, de verdade! Porra, não tem grana, ficou mais apertado esse ano? Não precisa me dar nada, prometo não ficar chateado nem triste, eu nem ia usar mesmo. Porque é foda, TODO ANO eu ganho a mesma camisa da Taco do meu pai, estou até desconfiado que parte da minha família abriu uma linha de crédito nessa loja. Cristo crucificado, haja presente da Taco! Eu já nem abro mais, deixo na caixa, tiro só o adesivo e dou pra outra pessoa. Tem também minha avó que entra natal, sai natal me dá uma camisa preta. A mesma! Ok, é um presente básico e não tem como errar, maaaaas... How many black t-shirts a man can get? (mas as de vovó eu guardo e uso e dou beijo quando ganho porque sou um bom neto e presente de vovó é presente de vovó).

Reclamando tanto fica parecendo que eu não gosto de Natal na verdade. Não é isso, juro que eu gosto, mesmo quando tem almoço de Natal aqui em casa dia 25 e minha mãe decide chamar trinta pessoas prum apartamento onde mal caberiam quinze. Mesmo quando, apesar do sol inclemente, minha mãe decide marcar o tal almoço pro meio dia e servir perú, presunto, salada de batatas e demais acompanhamentos untosos, pesados e pouco afeitos a um calor na casa dos 40 graus. O que mais substitui a magia de primos e irmãos reunidos no seu quarto aos berros jogando aquele Ludo que você tinha mantido fechado pra tentar trocar por uma lapiseira na papelaria da esquina? Família-ê, família-á, família! E pelo menos as sobras da ceia sempre duram mais que a festa em si, então, double bonus!!!!

Imperdoável para mim só mesmo aquela tia mais rica que arrumou uma passagem para os Estados Unidos para passar o Natal na companhia do Mickey, do Bush e de tempestades de neve (o grande charme da estação, convenhamos), mas para fazer um filme com o resto do pessoal que se rói de inveja da sorte alheia deixou uma lembranciiiinha na árvore para cada um. "Meu filho, esse aqui é da Tia Eloah que viajou, mas deixou o presente de vocês antes comigo", "Noooossa, um chaveiro do Bart Simpson/o livro do Harry Potter/um foda-se bem grande" "Ela me perguntou e eu disse que você ia adorar, tem que ligar depois pra agradecer, hein?". Então está aqui meu agradecimento... Tia Eloah, vá para a puta que te pariu! São os votos de sua família, que passou o Natal torrando no sofá daqui de casa enquanto você passeia pela América, sua bruxa!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Grandes enlaçes de celebridades que eu gostaria de ver

Juro, eu daria meu braço esquerdo para que a cantora Jane duBoc casasse com o sambista Zé Keti e eles tivessem uma filha. E na moral, dava o direito para poder ser colega de classe da criança!

Outro casamento bacana seria da Suzy Rêgo com o Paulo César Grande, pensa só...

E a Sandy? Se um dia ela tiver uma filha e decidir dar a ela seu próprio nome, a garota então passará a ser chamada de Sandy Junior?

Sobre amigas gordas, fotos no Orkut e reggae nacional

Por que em todo grupo de amigas existe sempre uma gorda e notóriamente esquisita que todas as outras, mais belas, insistem em afirmar que tem um rosto bonito?

Por que essa amiga gorda e notóriamente esquisita é sempre mau-humorada, pouco afeita a abordagem de homens interessados em suas companheiras e quer ir embora das festas antes de todo mundo?

Por que essa mesmíssima amiga gorda e notóriamente esquisita sempre diz que sua gordura é decorrente de um problema glandular, o que é repetido em coro pelas amigas, e nunca admite que come feito um estivador?

...
Por que as pessoas postam 63 fotos no Orkut e fazem legendas ligando a foto anterior à seguinte de uma forma totalmente mongolóide?

Por que um grupo de mais de 20 pessoas decide se reunir e bater uma foto onde, todo mundo já sabe, não será possível reconhecer ninguém devido a distância necessária para o enquadramento? E porque o cenário dessas fotos é invariavelmente um churrasco no sítio com dois terços dos convivas já caindo de bêbados?

Por que as pessoas insistem em legendar suas fotos no Orkut com ensinamentos de vida creditados erroneamente a Jesus Cristo?

Por que 72% das letras usadas como legenda de fotos de casal são do Lulu Santos? (os outros 28% acabam divididos entre Cidade Negra e alguma banda de pagode deprimente)

...
Por que reggae no Brasil virou sinônimo de hippismo universitário bunda-mole quando o estilo na Jamaica era coisa de marginal?


Por que todo integrante de banda de reggae acha por bem lutar capoeira e traçar paralelos entre Gilberto Gil e Bob Marley?


Por que toda banda de reggae tem nomes constrangedores que, via de regra, fazem referência à natureza de uma maneira óbvia e babaca, tipo Planta & Raiz e Nativus?


E finalmente, por que diabos todo gordinho branco maconheiro sempre decide fazer dreads no cabelo?!?!?!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

É isso aí, psit!

Durante anos eu acreditei que meu caráter vacilante, minha amoralidade e escrotidão eram fruto da criação que recebi do meu pai, da pouca presença materna na minha infância e de uma empregada de Ubá que me fez ajoelhar muito no milho por quase nada. A verdade só se revelou pra mim há uns dois dias atrás vendo um DVD que comprei na banca. Os culpados por eu ser esse escroque de marca maior não são outros senão Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Isso aí, os Trapalhões acabaram com a minha vida e, se vocês tem a mesma idade que eu, muito provavelmente com a sua também! Mas claro, se por acaso você nasceu depois do beijo do Didi na mão do Cristo, possivelmente está livre da influência nefasta do quarteto. Ou pelo menos, do mesmo tipo de mau-comportamento que eles disseminaram todo domingo.

Analisem comigo, não havia nada mais errado, politicamente incorreto e torpe para a formação de pequenos brasileiros que o programa dos Trapalhões. Todos os quadros rodavam em torno de vagabundagem, apostas na rua, tentar comer a mulher do alheio e passar a mão na bunda do guarda. Tudo isso entremeado por anúncios do Leite de Aveia Davene, Linhas Círculo, maionese Arisco e dos produtos de couro do Beto Carreiro, outro que nunca me enganou! Era mau exemplo em cima de mau exemplo aquilo lá. Afora o fato de que os personagens em si já eram o cúmulo do preconceito e do esteriótipo negativo. O paraíba era vagabundo, o negão era cachaceiro, o carioca um viado e o mineiro totalmente retardado. Sem contar que ninguém trabalhava e viviam de pequenos golpes e de tratar uns aos outros por apelidos racistas e piadas homofóbicas. Devia ser por isso que a gente era obrigado a frequentar aulas de Moral & Cívica, para eliminar nossas mentes de toda aquela malandragem contagiosa.

O que me deixa puto na realidade é que depois de fuder com nossas mentes por infindáveis anos, nos prepararando para sermos párias sociais, o Didi tenha a cara de pau de renegar seu passado, virar embaixador da UNICEF junto com o 007 e passar a se dedicar exclusivamente a filmagem de estórias horrorosas estreladas por Grazi, Sandy & Junior e sua filha-mutante. O único que poderia ainda redimir a todos nós, o grande Mumu da Mangueiris, está comendo planta pela raiz faz uns bons anos, assim como o Zacarias (que não ia fazer diferença nenhuma, né?). O Dedé... bom, o que se pode esperar de um cara que o único valor era fazer uma cara engraçada quando apanhava? Agora eu pergunto a vocês, como ficamos nós, fudidos e mau pagos depois de termos sido corrompidos a cada domingo e sem um Sargento Pincel para legitimar nossa canalhice? Quer saber, deve ter sido por isso que o Didi inventou o Criança Esperança... Complexo de culpa!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

terça-feira, dezembro 11, 2007

Grandes questões que assolam a humanidade

Como é que os integrantes dos Titãs conseguem botar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos depois de uma década e meia de vergonha e embaraço coletivo?


E, acima de todas, porque o Korn ainda existe?

domingo, dezembro 09, 2007

Ensinamentos de vida diretamente do meu fotolog favorito

"no mundo perfeito e sagitariano de mayra, todos os ex-namorados são amigos. meus e do meu namorado. suas damas são sempre bem-vindas e as conversas nostálgicas sempre recomendadas. as moças devem ficar unidas para caçoar dos defeitos do que há em comum. os moços devem simplesmente ignorá-las para fumar cigarros e jogar sinuca. e no final da noite, há sempre um grande abraço."

Só faltou dizer que nesse mundo perfeito e sagitariano ela também é escritora de livros, roqueira, dona de marca de camisas e as regras gramaticais são uma convenção careta demais para ela.

Muita informação para poucos centímetros

Os homens poderiam ser divididos em duas classes: Os decentes e aqueles que tecem comentários públicos a respeito do próprio pau. Numa boa, não há nada que berre mais alto "Olá, sou inseguro, tenho sério problemas de auto-confiança e careço de atenção" que querer tornar de conhecimento geral o tamanho do seu caralho. Afora o fato de que você pode estar aumentando razoavelmente as chances de constrangimentos que o deixarão marcado para toda vida com o público feminino. Porque, convenhamos, todo homem mente o tamanho do próprio pau de uma forma ou de outra, não é verdade? Eu não conheço ninguém com a honestidade e bravura de declarar "Olha, meu pau é como o Dr Jairo Bauer bem dizia, uma caneta bic sem tampa. E eu não me refiro apenas ao comprimento. Torço para essa ser mesmo a real média do brasileiro ou eu sou motivo de chacota há décadas em vestiários e baneiros públicos". Você conhece? Pois é... Mas é de bom tom nunca exagerar demais - se atenha aos 1 ou 2 cms a mais como oficializado pela Convenção de Genegra - ou soar tão convencido, pois como dizia aquele som do Uniform Choice "(...)there's always some bigger and tuffer" e as chances do que você considera ser um pacotão-família não passar de embalagem nano aos olhos do mercado são consideráveis. Portanto, se você não conhece a vida pregressa de suas fodas, o melhor que tem é ficar calado e guardar qualquer surpresa pra hora que a luz apagar (porque aí se a surpresa for do tamanho daquelas de Kinder Ovo, pelo menos tá escuro e não vai dar pra ver a cara de riso da menina).

Fora isso, o que você espera ao dizer para os outros que o seu pau mede não sei quantos centímetros? Elogios sinceros, que te condecorem o cacique da turma, que ofereçam as namoradas em sacrifício a sua rola? Assim, as pessoas só conseguirão pensar o quão você é deprimente por querer dividir intimidades com gente que pouco está interessada nesse aspecto (ou em qualquer outro) da sua vida pessoal. E a coisa só piora quando se trata do sexo oposto porque, ora bolas meu camarada, algumas delas podem querer conferir e aí, o que você vai fazer? "Como assim, nem 17 cms? Mede 23! É 23, sim, essa fita métrica que tá com defeito! Peraí, vem cá, eu juro que quando eu medi era assim... Pra quem você tá ligando, hein?!". Ah, mas é bom deixar claro que fazer uso daquela velha técnica de se auto-depreciar para causar o efeito contrário (técnica #1 de fotologgers e demais adolescentes around the globe) também é arriscadíssimo. Há sempre o risco de concordarem contigo ou só ficarem caladas e, você sabe, quem cala consente. Vão por mim, been there, done that e afirmo que a sensação é péssima! É por essas e por outras que me mantenho estrito a uma regra de ouro: Não quero saber o tamanho do seu pau porque, se for menor que o meu, eu não mais conseguirei respeitá-lo. Já se for maior, me sentirei diminuído (literalmente!) e não serei mais capaz de andar ao seu lado. E só falo do meu para mulheres cegas, virgens ingênuas e atendentes de tele-sexo que nunca vão poder checar a parada na vida real.

Separados no nascimento

atriz pornô de idade provecta

Dragão de Komodo

E nem só pelas feições reptilianas, porque eu a-pos-to que a baba da Gretchen também é super-venenosa!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Isso pra mim é coisa de filho da puta!

Você é um cara legal, mas lhe falta assessoria? Você quer ter um visual bacana e radical, mas costumeiramente escorrega no quiabo? Sua estética é sempre mais, digamos, "selvagem" que sua intenção? Relaxe, caro amigo! Preparei uma lista de ensinamentos simples e práticos sobre proibições no quesito vestimenta para você não ser mais apontado na rua e acabar de vez com saudações pouco simpáticas como "Lá vai mais um filho duma puta!". Eis então a lista de "coisas que só cara que não tem mãe em casa faz":

1- Usar sunga após os catorze anos de idade.
2- Ter um piercing na sobrancelha ou no mamilo.
3- Fazer três furos numa orelha e adorná-los com mini-argolinhas. Piora se uma delas tiver uma cruz ou uma mini-adaga.
4- Envergar uma fivela de caveira. Melhor dizendo: envergar um cinto de oncinha adornado com fivela de caveira!
5- Combinar rabo de cavalo com jaqueta de couro.
6- Descolorir o topetinho.
7- Ter um topetinho.
8- Dizer que está pensando em deixar crescer um topetinho.
9- Cultivar aquele cavanhaque igual ao do Thunderbird.
10- Pintar seu cavanhaque igual ao do Thunderbird de vermelho, azul ou verde para imitar o guitarrista do Pantera.
11- Possuir um bermudão indefinido (são aqueles que ainda não decidiram se são uma bermuda extremamente longa ou uma calça meio curta).
12- Comprar um sapatênis, o equivalente moderno daqueles mocassins de estilo indígena dos 80/90.
13- Comprar uma calça previamente furada.
14- Aparecer em público com uma abadá de micareta realizada no Riocentro.
15- E por fim, algo que já disse antes há alguns anos atrás, mas tem sempre um arrombado que considera "féxoun" e bacana: Usar camiseta de malha por cima de camisa social.

Leia, decore, siga e nunca mais envergonhe você e os que estão a sua volta. O mundo civilizado agradece.

Iron Maiden's gonna get you, no matter how far!

Lembra daquela época que a gente (por a gente leia-se eu) reclamava porque algumas meninas (e certos donzelos) botavam fotos super-posadas de suas caras nem sempre agraciadas pelo simetria retocadas no photoshop em seus asquerosos fotologs? Pois é, nada como um dia após o outro dia, não é mesmo? Porque, sério, acho que há algo de mais digno e honesto em uma pessoa acreditar que é bonita, que é alguém que as pessoas se interessam em ver e mandar ver numa fotinha estilo "photobook Sonora". Ao menos ela está ali admitindo publicamente em não sei quantos mega-pixels que, raios, quer ser uma Gisele Bïndchen do Tatuapé meeermo e foda-se!

É que agora tem essa moda entra a moçada de postar fotos num clima fim de festa, "oh my, I'm so wasted...", produção zero, ironicamente tão mais produzido e posado, que me irrita. Todo mundo naquele esforço blasé, nuns figurinos de gosto duvidoso e em fotos tiradas por máquinas caras que imitam uma analógica vagabunda e descartável. Porque é vintage. U-A-U! Acho particularmente divertidas aquelas em que um grupo de meninas expõe sua versão do Hollywood Boho-chic style... Num barzinho do humaitá! Ou sua interpretação do NY lifestyle straight outta Alameda Jaú. Isso é o que eu chamo de globalização da vergonha alheia.

E falando sobre os figurinos, qualé dessa rapaziada moderna com camisa de banda de rock antiga? Sério, cara, qual a graça de você usar uma camisa puída de uma banda que você não faz idéia do que seja ou representa? E você ainda pagou cinquenta vezes mais do que ela valia quando era nova e sem furos?!? Assim, isso onde eu moro se chama burrice, mas vai saber o que se passa na cabeça dessa galera, né?

Admito que o que me tira mesmo do sério na realidade é o fato de que eu estou aqui, a essa hora da noite, ouvindo Killers do Iron Maiden e o primeiro do Van Halen e achando tão ou mais foda que quando eu tinha 14 anos e discutia com meus amigos nerds cabeludos sobre qual seria a melhor formação da NWOBHM (coisa que eu continuo fazendo hoje, 15 anos depois). Daí me aparece uma tentativa de modelo anoréxica ou um produtor de editoriais de moda moderninho com uma camisa com a capa do Bonded By Blood do Exodus? Não pode, na boa, não pode! E não pode sabe por que? Porque na época da escola você tava ouvindo Ace of Base, Madonna e Debbie Gibson que eu sei!!! Em casos como esse eu sou totalmente a favor de voltarem as intimações violentas na porta de shows de metal do Garage ou na saída da Galeria do rock. "Curte Overkill, então dá o nome dos play... Não sabe? Tira a camisa e vaza, seu poser, playboy e embalista!" (não existe xingamento pior que poser e playboy para um roqueiro, não é verdade?).

prontodesabaphey!

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Ser inteligente é só uma questão de aparência

Em mais um esforço para ajudar a vida patética dos gatos pingados que ainda passam por aqui, resolvi ensinar a vocês meu truque para parecer uma pessoa inteligente. Sim, eu sei que vocês devem estar se pergutando se eu não sou realmente tão esperto quanto pareço e também porque cargas d'água as pessoas continuam dando importância a um treco tão demodê quanto o intelecto. Bom, o negócio é que ser inteligente é como uma espécie de imã de outras virtudes e se você é (ou como eu, finge bem que é) um camarada com conhecimentos mais avançados que os da maioria, as pessoas passarão a acreditar que você também é milhões de outras coisas legais. Resumindo, inteligência vale pontos com a turma!

O grande problema de ser inteligente é que ninguém tem tempo a perder nessa vida, certo? Portanto, você não pode se dar ao luxo de passar horas lendo, estudanto, pesquisando, assistindo filmes, peças, documentários, ouvindo discos e toda a sorte de coisas chatas que se precisa fazer para virar um inteligente. O que eu vou ensinar a vocês então é a técnica que eu chamo de "botar água no feijão cultural". A parada é bem simples e até quem lê isso aqui é capaz de compreendê-la perfeitamente: Preste atenção na conversa dos outros e tente se situar sobre o que é o assunto. Uma vez feito isso basta que você esprema daquelas poucas pistas jogadas no meio do papo o maior número de fatos que você conseguir e polvilhe com algumas palavras difíceis que você pode decorar lendo o Aurélio (e as palavras nem sempre precisam ser empregadas no seu sentido correto). Por exemplo, estão falando sobre aquele livro O Segredo. Uma pessoa normal não seria capaz de dizer nada sobre o tema caso não tivesse lido o livro realmente, né? Mas você, de posse de minha técnica revolucionária, já tem informações valiosas nas mãos como: É um livro, e que trata sobre um segredo qualquer. Um pouco de dedução vai te levar a concluir que deve ser uma estória (afinal, é um livro) algo secreta sobre fatos misteriosos (já que é um segredo e eles não iam relevar o segredo logo na primeira página do livro, né?!). Munido desse manancial de informações você pode dizer: "Na minha opinião, a maior virtude dessa obra literária contemporânea é o aspecto de mistério com que o autor desenvolve seu tema secreto". Porra, vai dizer que não soou inteligentaço?

A técnica também pode ser usados por pessoas de todas as idades que fazem provas, testes ou concursos públicos. Tipo, quando pedirem que você cite três características de Zumbi, líder dos escravos fugidos do quilombo dos Palmares (crianças, essa é pra vocês tirarem 10, hein?), você pode se desesperar pela sua ignorância ou se sair bem usando minha técnica de análise e enrolação. Reparem que a maioria dessas questões já nos dão todas as respostas no enunciado, vejam só: Zumbi = homem, líder = devia ser uma cara carismático e de personalidade forte dos escravos = era negro (há uma mínima parcela de chance de ser índio também) fugidos = devia ser rebelde do quilombo dos Palmares = construiu e/ou chefiou um negócio chamado quilombo, o que denota capacidade administrativa e organizacional (e isso a gente até já podia deduzir da parte que falaram que ele era líder). Rá, e eles querem SÓ três características? "Zumbi, o líder dos escravos era um homem de personalidade forte, muito carismático entre os demais negros ou índios e de reconhecida capacidade administrativa, porém algo rebelde". Uma resposta que transborda conhecimento de causa e lhe garante um A+++ de cara!!!

Use a técnica em qualquer situação, meus amigos! Quando sua namorada quiser alugar um DVD chato: "O Paciente Inglês? Ah, já vi... Do que se trata? Bem, o filme é uma história bela, porém um pouco arrastada, de um homem nascido na Inglaterra que é extremamente calmo e se torna paciente num hospital. Não acho que seja a melhor pedida para hoje, amor". Quando te pedirem uma opinião sobre o novo disco daquela banda de rock insensada que você nunca escutou: "O que eu achei do First Impression of Earth do Strokes? Bom, nesse disco acho que a banda conseguiu aliar seu som a uma atmosfera mais impressionista e terráquea, mas sem abrir mão de seu estilo característico, né?". Você vai se tornar um expert até em assuntos inventados na hora!

Então gente, é batata! Ser inteligente está apenas a uma embromação e três ou quatros palavras bonitas de distância. Mandem ver, afinal, só é burro quem quer!

Lúcio Riberio comprova: Eu usei o método e me dei bem!

Do grande copy desk universal para o mundo virtual

Venho por meio dessa pedir mais parcimônia no uso de palavras como "impagável" e "genial" para descrever um fotolog que posta fotos de gente aleatória no meio da rua, para falar de uma banda que o Tramavirtual elogiou, para se referir a posts de blogs de fofoca engraçadinhos ou a alguma coisa inventada por designers moderninhos recém-saídos da PUC. Por mais que vocês todos queiram abrilhantar um pouco suas vidas, vamos ao menos usar os adjetivos certos, ok?

Para auxiliá-los em um melhor uso de expressões desse tipo, sintam-se livres para consultar o diagrama abaixo sempre que necessário:

Genial!

O oposto de genial


Espero que a ajuda seja de alguma serventia. Sem mais,

Reizinho-chefe do universo fodástico de todos planetas, aka EU


PS - Obviamente que o bom senso no uso desses termos não se aplica a qualquer piada babaca que eu fizer aqui.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Pai & Filho

Há mais ou menos treze anos atrás, estávamos eu e meu pai assistindo televisão em sua casa em São Paulo. Era uma manhã de sábado (podia ser domingo, não vou lembrar), eu coloquei no Yo! Mtv para provar um pouco do perigo daqueles clipes do início do gangsta rap da década de 90. Era um vídeo do Ice Cube no seu característico estilo de época (ou seja, um bando de bandido e umas piranhas num visual Salt N' Pepa fumando maconha e siping gin & juice, if yo know what I mean). Não lembro porque meu pai sentou ao meu lado e escapa à minha compreensão porque ele continuou assistindo aquilo comigo. Ambos calados. Meu pai então quebra o silêncio com um "Imagina se você come a mãe de um cara desses?!". Olhei para ele em concordância, compreendendo toda a sensação de perigo através de sua lógica bem particular. Não falamos mais nada, mas aprendi uma lição naquela hora. Os comentários que alguém faz em frente a um clipe da década de 90 do Ice Cube diz muito sobre os temores, caráter e perccepção de mundo da pessoa.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Uma lista pouco inspirada de coisas que me irritam

1 - Aquele anúncio do garoto que diz que quer fazer cocô na casa do vizinho. Sério, quem é que tem coragem de conceber esse tipo de propaganda? Eu assisto e só consigo pensar que a mãe desse garoto é uma desmazelada que não compra Gleid para perfumar o próprio banheiro e no menino expelindo quilos de merda tão fedorenta que nem ele mesmo aguenta o odor. E a mãe do Pedrinho? Ela sabe que o vizinho frequenta sua casa só para usar a privada? Ela conscente? Onde isso acontece?

2 - Uma daquelas gêmeas milionárias que aparecem em tudo quando é revista, site e programas de tv relacionado ao mundo das celebridades. Não sei se é a Mary-Kate (aliás, quem é que batiza a filha com um hífen no nome?) ou a Ashley Olsen, mas alguma das duas me dá a clara impressão de que acordou, tomou heroína no café da manhã, mergulhou em um baú do Exército da Salvação e pediu para um bebê babuíno pentear seu cabelo. E olha que ela é rica, hein? Isso deve ser moda e eu não sei...

3 - Carolina Dieckmann, pelo conjunto da obra. Aliás, se o meu nome soasse como a tradução para o inglês de "Caralhumano", eu me esforçaria para ser mais simpática e fazer com que as pessoas esquecessem desse detalhe.

4 - A guirlanda de Natal da minha vizinha. Não obstante ser enormemente feia, ter a figura de um pavoroso homem-de-neve e a frase 'let it snow', ela foi pendurada na porta em frente a minha em OUTUBRO! Olha, haja espírito natalino e fé para começar a comemorar o natal quase três meses antes do dia e ainda esperar que neve por aqui.

5 - As seguintes expressões, sem ordem de irritabilidade: "ow, véi...", "tá tirando a favela", "quem é é, que num é cabelo avoa" (essa é de um requinte e de um dadaísmo ímpares!) e "meu, causando na balada!". Aliás, sobre a última preciso tecer um rápido comentário: Toda vez que alguém diz que causou na balada, eu automaticamente imagino a pessoa em questão na Feira Agropecuária, no Festival do Milho ou na Festa do Chocolate de alguma cidade do interior de São Paulo.

6 - Quem se refere a qualquer coisa relacionada ao Brasil como Brazuca. Tipos, "Alô, a cobertura do Rock in Rio I pelo Fantástico ligou e pediu as gírias dela de volta!".

Separados no nascimento


A pergunta que não quer calar é: Será que Yoná Magalhães só quer saber de rock n' roll all nite and party everyday? Sei não, viu...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Sacanagens no Reino animal


Deus é mesmo um gozador, não é verdade, turma? Sério, só mesmo partindo desse princípio para compreender o fato dele dividir os animais em apenas dois gêneros. Ok, ele fez o mesmo conosco e isso não impediu que ninguém pulasse prum lado ou pro outro ou decidisse ficar ali no meio do caminho (uma prova de que nós somos mais espertos e safos que Deus, esse grande metódico), mas acontece que com os animais o Criador caprichou na ironia. Não estão acompanhando meu raciocínio? Ora, pensem comigo, do que adianta Deus dizer que entre os seres vivos só existirão machos e fêmeas e colocar na Terra um bicho como esse cachorro aí de cima? E não bastasse a sacanagem de fazer um bicho de visual completamente aviadado, Ele ainda decidiu chamar sua invenção de "Lulu da Pomerânia"! Porra, fico pensando como deve ser a vida de um exemplar macho, de um cachorro com C maiúsculo que deu o azar de nascer um Lulu da Pomerânia. O cachorro pode mudar de nome, tentar dizer por aí que se chama Ruffus, Thor, que é descendente de Rottweilers, mas cacete... Olhem novamente a pinta desse cachorro. É pra se matar!

E essa brincadeirinha de mau gosto não acometeu apenas cachorros dessa raça (sim, porque o Lulu da Pomerânia não foi o único alvo canino de pegadinhas divinas). Antes tivesse, mas não, Deus não se deu por contente com um e quis repetir a piada entre outros animais de pouca sorte escolhidos aleatoriamente. Apenas isso me explica a razão de criar um pavão macho... Um pavão, o correspondente animal a algo tão flamboyant quanto o Clóvis Bornay!!! Isso sem falar nos pôneis, esses coitados. Porque os pôneis além de serem animais prenhes daquela vibe de menininha (muito graças a coleção de brinquedos, da qual sempre fui contra), vão ser para sempre encarados como animais infantis. Eu aposto que num haras, um pônei de 40 anos continua sendo tratado como café-com-leite pelos outros cavalos.

Mas acho que me preocupo mais com os cachorros, na verdade. Cachorros são os únicos animais com que eu realmente me importo depois dos macacos (que já é mais uma questão de amor, está em outro nível). Acho que me identifico com a cachorrada. Assim como eles, eu passo a maior parte do tempo deitado, não gosto que me enconstem enquanto estou comendo, fico excitado em locais impróprios, sou fã de uma cachorra e lambo minhas partes íntimas... Ok, a última é mentira, mas acho que seria divertido. É por isso que entendo o sofrimento de um cachorro macho que foi colocado por Deus numa carcaça delicada, fofa e gay friendly ao encontrar seus amigos buldogues, pitbulls e vira-latas. É por isso também que acho que cachorros são ateus, eles tem raiva de Deus!

sábado, novembro 17, 2007

Meus amigos são muito mais foda que os seus


É com esse tipo de gente que eu dou passeio na rua. Vai encarar?

sexta-feira, novembro 16, 2007

Games Made in Brazil

Acabei de bolar a idéia do que, eu tenho certeza, será uma sensação entre todos os jogadores de video-game tupiniquins. Todo mundo sabe da combinação de sucesso que é misturar rock e jogos eletrônicos, né? Então, olha que incrível, que tal se lançassem na cola (como todo bom produto genuinamente nacional) de games como Rock Band e Guitar Hero um "Guitar Loser" para XBox, Playstation III e o caralho? Já pensei em tudo! Ao invés de você emular os acordes e solos de grandes hinos roqueiros conhecidos em todo o mundo, o jogador teria o prazer inenarrável e único de executar com suas próprias mãos clássicos de gente do quilate de Pepeu Gomes, Celso Blues Boy, Wander Taffo, Frejat e meu ídolo supremo, o magistral Robertinho do Recife!

Pensem na sensação de debulhar clássicos que ninguém dá a mínima como "Garota Dourada", "Aumenta Que Isso Aí É Rock n' Roll", " Fantasia Preto e Prata" e "Pedra Não É Gente Ainda". Foda, hein? Pela primeira vez você ali controlando os dedos ágeis de uma cópia mal-feita dos "grandes" guitarristas do rock-brazuca e esmerilhando a guitarrinha de mentira ao som de "Bate o pé, bate a mão, a cabeça e o coração...". Um passatempo para toda a turma da vila, diz aí. Se isso não berra di-ver-são por cada sulco, eu não sei então o que pode ser considerado como tal! Vamos torcer para a Tec Toy, produtora daquele sucesso sem precedentes que foi o jogo da Mônica pro Mastersystem, ou a empresa manauara que fez o jogo de Atari da Angélica vejam isso aqui e providenciem o "Guitar Loser" pra já. O rock nacional agradeceria para sempre.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Se a moda pega...


...Eu ia precisar fazer um cartazinho desse pra cada pessoa com quem já passei mais de vinte minutos.

É fato!

Sabe uma coisa que eu detesto? Gente que depois de ser estapeada com a prova de que seus argumentos e/ou teses são, em sua maioria, compostas de coliformes fecais tem a pachorra de virar e mandar um "Então você quer que eu acredite que...". Olha, eu não quero que você acredite em porra nenhuma! Eu estou cagando sobre suas suposições e certezas a cerca do aquecimento global, do Estado de direito ou da história do punk rock, mas tem coisas que não é pra discutir. Ao menos, não comigo. Se você tiver mesmo no pique, discuta com os fatos, porque aí é cada um com seus pobrema, né colega?!

Prontodesabaphay!

Pergunte ao Granamyr


"Granamyr, sapiência de Etérnia, resolvi cultivar um bigode numa tentativa de ironizar a imagem do macho brasileiro e, ao mesmo tempo, fazer uma referência estética a essa onda retrô. Você aprova minha atitude?' - Zé Graça da FAAP, 25 anos, SP

Minha única aprovação é em ordem que você receba uma surra na rua e pare de brincar com o que não lhe diz respeito, ser humano desprezível!

Deus me livre de escorregar na frente dos outros

Estava conversando isso com um amigo horas atrás. Sabe, de todas os constrangimentos que se pode passar em público (e eles são muitos), nada supera você escorregar na calçada. Poucas vezes vi gente mais envergonhada que após uma escorregada ou tombo que as levou ao chão. Isso porque, escorregar, se enrolar com as próprias pernas ou trombar numa pedra que é 1/30 do seu tamanho é dar uma declaração pública da sua incapacidade de empreender o movimento mais básico para seres humanos em pleno funcionamento de seus membros. Você não consegue mover um pé depois do outro e se equilibrar ao mesmo tempo, que merda, hein?!

E a vergonha só aumenta porque tem sempre uma turma que presenciou a cena ridícula e, ao invés de seguir sua vida com uma risadinha, se presta a ajudar. Olha, faço aqui um apelo público: Se eu um dia por acaso tropeçar e cair, por favor, não me ajudem! Porque virar motivo de chacota instantâneo é doloroso, mas compreensível (não que eu reaja bem a isso, é bom dizer), agora, ter que aceitar a complacência e ajuda alheia é que é foda de verdade! Porque o cara que ajuda, sejamos francos, está rindo por dentro como todo mundo e não contente em rir mentalmente, ainda procura humilhá-lo com sua ajuda. "Tá tudo bem?", "Bom, fora o joelho ralado, a vergonha e ter virado motivo de riso, sim, tudo bem, obrigado".

Aliás, já repararam como as pessoas que tropeçam nunca conseguem reagir de modo razoável. Pô, sério, se eu tivesse sido obrigado a dar a chance gratuita de rirem da minha cara quando estou de bunda pro ar, o mínimo que eu faria para aplacar o constrangimento seria rir junto. Ou fazer uma cena, fingir que foi algo seríssimo, que eu tenho uma 'condição' que dificulta meu andar, alguma coisa pra deixar os passantes com culpa na consciência. Mas a maioria das pessoas prefere aceitar a ajuda para se levantar e uma vez de pé, sacudir a poeira da roupa olhando pra baixo e sair caminhando rápido, dizendo que não houve nada. Ora bolas, deixa de besteira! Claro que houve, houve e todo mundo viu, então melhor é tentar reverter isso em algo minimamente positivo pro seu lado. Fica a dica: Tropeçou, caiu, todo mundo está rindo da sua cara? Finja que é aleijado e, já que vergonha pouca é bobagem, grite a plenos pulmões "Vocês riem porque não sofrem do que eu sofro, tá? Mas eu torço para que os filhos de vocês não tenham a mesma dificuldade que eu!!!", daí levante-se e ande manquitolando até onde a vista alcançar.

quinta-feira, novembro 08, 2007

E por aí vai...

Poucas coisas são mais herméticamente perfeitas na capacidade de constranger e fuder com alguém que aquele clichê de programas de entrevista onde, certa hora, o entrevistador pede a seu convidado para dar uma canja, uma palhinha. Putz, eu adoro quando o cara coloca o entrevistado na situação vexatória que é "dar uma canjinha". O coitado em questão é, então, obrigado a apresentar um pequeno pedaço de algo relevante de sua obra num espaço muito pequeno mas que, ao mesmo tempo, sintetize sua produção e mostre seu talento. Isso, claro, sem as condições mínimas para tanto! O Jô é mestre nisso.

Daí fica aquele treco tosco. "Vou pedir então pra você dar uma canja desse seu último sucesso" e o músico com UM violão, sem acompanhamento, tentando achar alguma posição confortável naquele sofazão ao mesmo tempo que consiga cantar e fazer o instrumento ser ouvido no MESMO microfone, que se vire! Tem aquelas que, na tentativa de salvar seu trabalho apelam desesperados: "eu vou pedir pro pessoal da platéia me acompanhar nas palmas, tá ok?". Triste...

Mas a rapaziada tá ficando mais esperta e é aí que entra outra frase ótima dessas situações. O cara, para não queimar seu filme diante do estúdio inteiro, faz o quê? Toca um compasso da música e solta "... E por aí vai, né Jô?". Porra, por aí?! Por aí por onde, meu amigo?!? Vão entrar uns teclados espaciais muito loucos, uma orquestração de cordas, você vai emitir sons com parte do seu corpo, vai vomitar no buraco do violão, qual vai ser? Fico sempre sem entender pra onde vai, apesar de achar digno o cara se sair com essa.

xxx

"E por aí vai..." é mesmo a expressão perfeita. Tão perfeita que acho que vou passar a empregá-la em tudo! Em entrevistas de emprego quando for descrever meu currículo: "Bom, meu nome é Luiz Menezes, sou formado em jornalismo e por aí vai...". Numa discussão com minha namorada: "Amor, eu estou me sentindo desconfortável com isso e por aí vai...". No restaurante: "Eu vou querer um copo de coca com gelo e por aí vai...". No táxi: "Amigo, pega aqui essa rua e por aí vai..." . Até nesse blog, olha que boa idéia?! Mais fácil que isso, só mesmo quem tem a cara de pau de empregar etc (/êt 'sétara/) num papo entre adultos.

terça-feira, novembro 06, 2007

Piada repetida... mas que se foda, o blog é meu!

Jerry Only: Aí Michael Graves, tira a camisa de telinha e esse devilock loiro cafonérrimo que tu não é caveira!

Michael Graves: Sou sim!

Jerry Only: É porra nenhuma! Tu é moleque, moleque... E tá demitido, fora da banda!

segunda-feira, novembro 05, 2007

Cagaram pra Paz


Me toquei só agora de que já estamos em novembro e, visitante assíduo de blogs e sites de putaria que sou (igualzinho a todos os demais heterossexuais, mas eu não tenho vergonha de admitir isso para estranhos via internet), não vi nem menção sobre as fotos da Bárbara Paz na edição de dois meses atrás da Playboy. Da Mônica Velloso eu ainda achei num site menos cotado, mas a da Bárbara Paz foi completamente ignorada pela massa onanista virtual. Coitada...

Sério, deve ser muito ruim ser apavorante, tentar levantar uma grana e o ego estampando a capa da revista masculina mais popular do mundo em posição de cagar e nem adolescente punheteiro ter motivação pra scanear as fotos e dividir com os amiguinhos. Bárbara Paz, se mata!

Meu senso estético foi o He-Man que construiu

Eu demorei a querer entrar numa academia. Ou melhor, demorei a admitir que queria, sempre quis, malhar e ficar fortão. Ei, não me culpem, culpem o desenho do He-Man! Eu adorava He-Man quando era garoto, na real, adoro até hoje e me ressinto de que ele não é reprisado na preferência de exibirem algum desenho japonês estúpido. Tenho plena cosnciência hoje de que foram os episódios dos mestres do universo que introjetaram em minha pessoa essa vontade de ficar forte (e de andar num tigre verde, mas isso não vem ao caso) e crer que tudo posso se aquilo me fortacele. Foram cinco anos assistindo e absorvendo toda lição de moral que os bonzinhos nos passavam ao final de cada aventura, era óbvio que aquilo teria sérias consequências na minha mentalidade débil ainda em formação.

Admitamos, He-Man era foda! A começar pelo nome, era o desenho mais alpha-male persona pride do mundo. Ele-Homem, e tudo com maiúscula, porque minúsculo é o seu pau, não o do príncipe de Etérnia, loser! Nem entro nos méritos do fato do desenho ter sido desenvolvido para vender a linha de bonecos (a linha de bonecos mais FODA de toda a história dos brinquedos, diga-se) baseados no filme do Conan, o que confere por si só o background ogro-porradeiro-pau-na-mesa. A característica mais marcante do He-Man para meus olhos infantis era o fato de que em Etérnia, não importasse quantos anos tivessem, todos os homens eram fortes pra caralho e todas as mulheres eram gostosíssimas. Eu não conseguia compreender porque o Mentor tinha no mínimo o dobro da idade do He-Man e, ainda assim, era tão forte quanto ele. E por que só o He-Man conseguia levantar o castelo de Greyskul, empurrar a Lua e atirar pedregulhos (coisas que, aliás, lhe valhiam idêntico esforço)? Caralho, até o Esqueleto que era, bem... a porra de um es-que-le-to!, tinha o corpo de um Lou Ferrigno.

As mulheres eram um caso a parte. Tinha a Teela, a Maligna, a Feiticeira, a mãe do príncipe Adam, todas coxudas, peitudas, cinturinha fina e com bundinhas sensacionais. Minha preferida era a Teela, muito provavelmente responsável por uma de minhas primeiras ereções conscientes. Mas também sempre desconfiei que o He-Man, malandro que era, devia fazer visitas noturnas ao Castelo de Greyskull e dar um confere nas carnes de sua moradora solitária. Que homem poderia resistir a uma mulher de collant com uma cabeça de águia adornando o cucuruto? E, convenhamos, se você é uma mistura de Schwarzenegger com surfista montado num tigre de armadura, tem um espadão que solta raios e é tido e havido como o cara mais poderoso do pedaço, tu tem a obrigação moral de comer todas as mulheres! Tenho certeza que o He-Man não me decepcionou, o Xou da Xuxa é que não podia mostrar a parada naquele horário.

Não obrigado, tô só olhando...

Uma das situações mais constrangedoras para homens do sécuo XXI é, sem dúvida nenhuma, a saída para comprar roupa. Falo dos homens porque mulheres, geralmente, são seres mais evoluídos e desinibidos, portanto, sabiamente mais sociáveis. Ou talvez não sejam todos os homens, mas apenas eu, especialmente. Admito, tenho aversão a visitar uma loja quando estou à procura de alguma peça, normalmente depois que me dei conta de que aquela bermuda feita de uma calça jeans de cinco anos atrás está se decompondo ou que não dá para ir com camisa de banda pro casamento de uma prima. É bom frisar que meu constrangimento e inabilidade só surgem nesses momentos específicos, porque quando eu estou acompanhado e geralmente entro em uma loja sem nenhum motivo aparente, faço uso de minha cara de pau com prazer para fingir que vou levar metade da loja. Geralmente termino dizendo "ok, então separa tudo isso aí pra mim que eu vou ali sacar o dinheiro e já volto...". Óbvio que é mentira, é mania de escroto e eu fico achando que não posso voltar àquele lado do shopping.

Mas enfim, uma vez tendo notado a escassez de roupas no meu armário (ou, sendo mais realista, de "roupas de adulto", "roupas de homem", "roupas arrumadas") parto para a detestável missão de encarar o temível vendedor de loja de roupa!!! Pois meu grande problema não é comprar, ora bolas, eu sei o que eu quero, sei do que eu gosto e geralmente, estudo a vitrine com precisão, tentando até mesmo entrever a posição de cada peça dentro da loja para efetuar a compra em tempo recorde. "Oi essa camisa tamanho M quanto é tá não obrigado só isso tchau", essa é toda a conversa que estou disposto a ter uma vez que desejo realizar uma compra. Porra, porque o cara quer saber meu nome? E porque raios eu me interessaria pelo nome dele? Pior mesmo é quando é mulher que tenta ser meio íntima e pergunta se pode te chamar de Lu. Ou te chama de Lu sem nem ao menos perguntar se pode! "Meu nome é Henrique, tá? Se precisar de alguma coisa só me fala". Tá, Henrique, preciso que você vá tomar no meio do seu cu e não encha meu saco, dá pra ser?!

Eu sei que vendedores vivem de comissão e que é uma tarefa ingrata insistir para que as pessoas comprem mais do que elas precisam. Tenho certeza que muitos vendedores sabem de sua condição inoportuna, mas precisam do emprego e possuem um gerente cretino os obrigando a se submeter a esse comportamento vexatório... Mas vamos lá, pessoal, um pouco mais de sagacidade. Ou algum vendedor realmente acredita no fato de que está ali influenciando verdadeiramente alguém ao dizer "Pô, essa bermuda é iraaaada! Peguei uma peça igual pra mim!". Ah tá, você, vendedor de surfwear de cabelo que parece um teto de sapê amarelo fosforescente, de tênis de skate, camisa estampa e bermuda florida tem um treco desses no armário? Então não quero, deve ser sinônimo de breguice aguda! Sofri horrores na Redley e na Galeria River com esse tipo de approach.

Mas o fundo do poço do constrangimento só é atingido quando não contente em dizer seu nome, te chamar por apelido, pedir para te adicionar no orkut (ok, isso eu inventei), o vendedor tenta te elogiar. Olha, sério, somos todos adultos, eu vou comprar a roupa, e se já é vergonhoso o bastante que minha mãe e minha namorada tenham vindo comigo, você elogiar e conversar com elas não melhora a situação. "Cara, que lindas suas tatuagens". Valeu. "Doeu?". Não. "Tô pensando em fazer uma...". Uma índia, uma índia com a cara da mina dele, aposto que ele vai dizer... "Mandar uma índia aqui com a cara da minha filha". Puuutz, foi quase! Ou então quando ele, desesperado para pagar a encomenda de winstroll com a comissão pela sua compra, começa a esquisofrênicamente tentar empurrar qualquer peça da loja. Afinal, por que você não vai levar a calça, só porque ela não entrou? Besteira, depois ela cede. Nããão, não porque o jeans é vagabundo, porque... bem, porque cede mesmo, né? "Não quer ver também uns bonés, umas munhequeiras, um sungão, uma meia, uma parafina?"

Nunca serão! (ainda tá em tempo de fazer piada com o filme?)


"Aí Esqueleto, tira essa farda que tu não é caveira, ouviu bem? Você é moleque, você é um fanfarrão!"

Minha moral foi o Esquadrão Classe A que construiu!

Nunca, eu disse NUNCA, despreze os conselhos de um negão de moicano-barba, trilhões de correntes de ouro e shortinhos de corrida. Ele pode te enfiar porrada!

terça-feira, outubro 30, 2007

Deus falou comigo ou god is dog

Eram três da tarde e eu estava sentando no sofá trocando os canais da tv a cabo sem prestar atenção a nenhum programa em especial quando um cachorro preto de três pernas abriu a porta da cozinha e caminhou em minha direção. De quem era aquele cachorro e como ele desenvolvia com graça apesar da falta de uma perna foram dúvidas sopradas na minha cachola, dúvidas que se dissiparam quando, depois de sentar e coçar a orelha, ele falou comigo. "Olá Renato, como vai?" foi o que ele disse, e sua voz soava tão sábia e pacífica que, por mais ilógico que fosse, me manteve sentado e prestando atenção em sua apresentação formal ao invés de me atirar pela janela por pensar ter enlouquecido definitivamente. O cão de três pernas continou falando de maneira pausada, eu poderia dizer até sussurada, caso cães tivessem lábios, e eu permanecia prostrado no sofá entre desacreditado e curioso, somente ouvindo o que ele dizia sem me preocupar com a verossimilhança e o fantástico da coisa toda.

"Eu sou Deus, Renato, e vim ter contigo", foi a forma que o cão achou de me explicar o porquê dele estar ali, sentado no chão frio da sala de um apartamento de classe média em São Paulo. Eu não podia acrditar, e não pelo fato de achar impossível que um cão decida falar a língua dos homens, mas porque não acreditava em deus. Era um ateísta convicto e, desse o animal de três pernas qualquer outra explicação, seria mais plausível e mais passível de minha crença que afirmar que era uma entidade imaterial que cientifica, filosófica e praticamente inexistia para mim. Decidi desafiá-lo a provar que ele era realmente quem dizia ser:
- Eu entendo que assumir a forma de uma criatura ordinária, deficiente e frágil é algo bem típico de um deus cristão, mas o negócio é que...
O cachorro-deus me interrompeu:
- Mas quem disse que sou um deus cristão, Renato? O cristianismo, assim como qualquer outra religião, é uma invenção de vocês homens que pouco tem a ver comigo. Além do mais, a razão de ter escolhido essa forma para vir falar-lhe é justamente porque eu sei que lhe causaria compaixão e amabilidade ao invés de temor paranóico. Por favor, não ofenda minhas intenções com a agenda cristã!

Nisso deus, ou quem quer que ele fosse, estava certo. Nada era mais capaz de me desarmar que a imagem de um cachorrinho cotó, mas insisti para que ele me provasse sua onisciência:
- Se você é mesmo deus, então me diga o que eu estou pensando agora! - falei em tom de bravata.
- Você está pensando em como é mais inteligente que eu - respondeu o cão sempre ponderado.
- Ok, mas se você é deus de verdade, então você pode dizer algo sobre mim que mais ninguém sabe, algo que sempre neguei, que nunca admiti para nenhuma pessoa nesse mundo.
- Você, no fundo, acredita em mim - falou o deus cotó e de pêlo brilhante com a placidez de quem traz consigo toda a verdade do universo.
Fiquei calado, procurava rememorar ocasiões em que meu ateísmo tenha vacilado, em que eu inquiri a certeza da inexistência, em que eu tenha buscado respostas além das provas do cientificismo.
- Fique tranquilo, você não tem consciência de que acredita. Você nem ao menos é capaz de, objetivamente, dizer que acredita em mim, mas eu sei - acalmou-me o cachorro.
-... Então você é mesmo deus? Você existe!
- Não, eu não existo, e nisso vocês e todos os outros ateístas do mundo, mesmo aqueles que gritam meu nome em desespero na hora mais negra de sua existência, estão certos. Existir não é comigo. Eu sou!
- Falando assim você soa bem convencido para um cachorro de três patas, sabia? Se você é, e não existe, porque assumir a forma de um animal, por que não simplesmente sussurar sua condição aos meus ouvidos?
- Bom, já havia tentado isso antes com resultados pouco frutíferos. Não deu muito certo com Nietzsche e Nijinski, os caras terminaram meio queimados, né? Achei melhor parar com essa estória e me assumir como algo em que vocês homens crêem piamente.
- Um cachorro perneta?
- Não, um ser inferior. É impressionante como vocês são capazes de acreditar em qualquer coisa desde que ela seja menor, mais frágil e menos inteligente. Essa insegurança e presunção humanas me cansam!

Eu me via diante de uma situação de absurdo tal, sentado no sofá conversando com um cachorro que dizia ser deus, que o mínimo que eu poderia fazer era acreditar em todo aquele circo fantástico transcedental que se armava para zombar da minha falta de fé e, de uma vez por todas, embarcar na verdade de tudo aquilo. Se deus decidiu por bem tomar a forma de um cão sem uma das pernas apenas para meu contento e de todos os lugares possíveis do universo, entrar na sala do meu apartamento, alguma mensagem especial ele trazia para mim.
- Ok deus, então o que te traz aqui?
- Nada... - respondeu deus enquanto lambia suas partes caninas.
- Ora, vamos lá - sorri demonstrando cumplicidade - Qual a minha missão?
- Sua missão, como assim, sua missão?
- Oh deus, numa boa, sem esse clichê de mensagens cifradas, informação truncada e parábolas que, se você é deus já deveria saber, eu não vou conseguir entender! Colé, se você veio até aqui, alguma coisa de especial eu tenho pra fazer na vida, né? Ora bolas...
- Não - e eu posso jurar que ele sorriu.
- Como não?
- Bom, quer dizer, você vai arrumar um emprego, vai casar... Não com essa sua namorada, uma outra menina que você vai conhecer no seu trabalho. Terão dois filhos, vão morar nesse apartamento que você herdará com a morte de sua mãe e vai ser medianamente contente como 98% da raça humana. Ah, e vai morrer de causas naturais aos 79 anos! - disse deus se espreguiçando sobre uma faixa de luz que entrava por uma fresta da cortina e virnado-se de costas para mim em despedida.

Enão era isso? Nenhuma epifania, nenhuma missão, nenhum segredo sagrado para carregar como um fardo especialíssimo até o fim de minha estada na Terra. A visita de deus fora exatamente isso, somente uma visita, uma curiosidade do criador para como uma de suas criaturas, escolhida ao acaso como quase tudo nessa vida. A ironia mais mordaz da confirmação da existência, ou melhor, de presenciar a divindade sendo em toda sua plenitude, tinha sido descobrir que eu não ia dar em merda nenhuma. Não que eu esperasse ser um profeta ou algo do tipo, mas depois que aquele cachorro entrou aqui... Poxa, preciso admitir que comecei a fazer planos. Quem deus pensa que é para invadir minha casa, tirar-me da letargia diária em frente à tv e restituir minha fé antes de sair pela mesma porta que entrou abanando o rabo? Ótimo, tudo o que eu ganhei com a prova da presença de deus entre nós foi a confirmação de quão insípida minha vida continuará sendo e uma poça de xixi de cachorro em cima do tapete da minha mãe. Deus é realmente inacreditável!

sexta-feira, outubro 26, 2007

Relacionamentos x Churrascarias rodízio

Não se sabe que lógica seguiu Carlos Eduardo quando ele convitou Maitê para um jantar planejando confessar-lhe sua incapacidade de comprometimento. Não que usar um restaurante como cenário para dar fim a um relacionamento fosse algo inédito ou paticularmente estúpido, a infelicidade de Carlos foi escolher logo uma churrascaria rodízio. De tantos lugares menos populares, mais discretos e menos invasivos, Carlos achou por bem ter "aquela conversa séria" num domingo de tarde no Porcão do Flamengo. Ok, a seu favor é preciso admitir que o restaurante escolhido camuflou perfeitamente a inteção para Maitê, que foi totalmente desarmada. O que fazer, o homem não vivia sem aquele corte de maminha mal-passada com gordurinha...

Sentaram-se e mal começaram a conversar quando a mesa foi entupida de cestinhas de pães, azeitonas, manteiga, geléia e ovos de cordorna. Carlos Eduardo segurou as mãos de Maitê e em tom grave lhe disse aproximando seu rosto do dela:
- Te trouxe aqui porque precisava te falar uma coisa...
- Os senhores vão beber o quê? - quis saber um garçom, não o mesmo que havia trazido o couvert.
- Ahn... Ainda não sabemos, tá? - retrucou Carlos Eduardo, voltando sua atenção para Maitê que começava a demonstrar sinais de ansiedade e desconfiança:
- Você sabe, amor, quando nos conhecemos eu estava numa fase conturbada e foi muito saudável ter engatado um romance, mas... Vem cá, o senhor vai ficar aqui ouvindo nossa conversa? - exasperou-se Carlos Eduardo ao notar que o garçom continuava ali prostrado, caderninho em mãos, pronto para anotar os pedidos de bebida.
- Perdão, senhor?
- Quero saber se o senhor vai ficar aqui escutando o que eu tenho pra falar pra minha namorada!?
- Bem, é que os senhores... vocês ainda não disseram o que vão beber.
- É porque a gente ainda não sabe, pode ir!
- São normas da casa, senhor, me desculpe. Eu só posso deixar a mesa depois que vocês escolherem suas bebidas.
- Tá bom!!! Porra... Sei lá, me traz uma água tônica com limão e o que? Um suquinho de laranja pra você, amor? ...Um suco de laranja pra ela, por favor.

O garçom finalmente pôde deixar a lateral da mesa e Carlos Eduardo pode voltar a falar para Maitê que foi uma fase difícil da vida dele, que ele estava precisando de segurança naquele momento e tê-la encontrado foi ótimo, mas que a verdade dos fatos é que era da natureza dele ser um homemem mais...
- Linguiça, senhor?
- Não, obrigado!
Enfim, ser um homem mais livre. "Não, não você me prenda, Maitê, não estou dizendo isso, por favor!", mas é que Carlos precisava se sentir um pouco mais leve e devido a isso, ele achava que o melhor seria...
- Maminha de alcatra?
- Opa, essa eu vou, hein? Maitê, meu amor, prova que essa maminha deles é divina. Pra mim pode cortar com um pouco de gordura, tá?
Era simplesmente impossível que Carlos Eduardo falasse sobre sua natureza e destrinchasse as suculentas fatias de maminha ao mesmo tempo, então, optou por se concentrar em paenas mastigar a carne, enquanto baixava à mesa aquele irritante som de garfos e facas batendo no prato e travessas de acompanhamento sendo passadas de um lado da mesa para o outro. Maitê também calada, mastigava seus pequeninos pedaços desconfiada, quase se tocar no suco.

Quando já havia limpado o prato de farofa, maminha, molho à campanha e umas três fatias de picanha que um garçom jogou-lhe no prato sem perguntar nada, se sentiu motivado novamente a explicar a situação para sua namorada:
- Então, do que a gente tava falando mesmo? Ah é, bom, o negócio é esse, sou eu mesmo. Não é clichê, é que eu sou assim, de verdade, é minha natureza. Eu não sou homem de uma mulher só, Maitê!
A frase saiu da boca de Carlos Eduardo penetrando os ouvidos de Maitê em slow motion e engasgando junto com os últimos pedaços da picanha (que o garçom também jogou-lhe no prato sem permissão) em sua garganta. Era como se para ela, naquele momento, só houvesse a boca de Carlos emporcalhada de gordura e farofa a se mover vagarosamente, vomitando aquela frase tenebrosa. Maitê desabou em um choro convulsivo.
- Que isso, amor?! Não, por favor, não faz isso, vai... Você sabe que eu não suporto ver mulher chorando - O pedido só fazia Maitê chorar ainda mais.
- Eu... eu não acredito! - soluçava a namorada, chorando sobre a travessa de bananas fritas.
- Pára Maitê, não faz assim! Olha, me ouve, vai... Você precisa entender... - Carlos implorava na tentativa de que sua namorada chamasse um pouco menos de atenção no salão da churrascaria com seu choro.
- Carlos, como você... como você me chama e fala uma coisa dessas? - Não haveria tentativa que fizesse Maitê parar de chorar. Também convenhamos, onde já se viu acabar relacionamento numa churrascaria do Flamengo?

- Cupim?
- Ahn?
- O senhor aceita Cupim? A madame?
- Não, não... sai daqui com isso! - Carlos espantou o garçom para longe da mesa.
- Amor, pára de chorar, vai!
- Chuleta na brasa?
- Não, obrigado!
- Baby beef?
- Não, porra, não quero! Eu coloquei aqui esse negócio virado pra cima, tá vendo? Esse cartãozinho vermelho com um porco dizendo "não, obrigado" não é pra isso? Não quero, não quero baby beef nenhum então, porra!
- Desculpe, senhor...

Carlos Eduardo então voltou-se para Maitê que parecia um pouco mais calma e agora só bufava, os olhos ainda marejados fustigando o namorado, odiando toda aquela situação, as famílias barulhentas,o cheiro de gordura no seu cabelo e toda a extensão do bairro do Famengo.
- Maitê... Sejamos razoáveis! Nós dois sabíamos que isso não ia dar certo, né? - Carlos buscou a concordância da namorada tentando segurar suas mãos, que ela rapidamente desvencilhou.
- Não seja assim, ora bolas! Você assim está me tolhindo, Maitê!!!
- Te tolhindo? Te tolhindo, Carlos Eduardo?
- Você entendeu o que eu quis dizer...
- Eu não entendi nada, NADA! Você me traz pra uma churrascaria rodízio no meio de um domingo dizendo que precisávamos ter uma conversa séria e tudo o que tem a me dizer é que não é da sua natureza ter uma mulher só? - Maitê começou a demonstrar um crescendo de fúria feminina que fez com que Carlos, por via das dúvidas, tirasse de perto dela as facas e demais objetos cortantes na mesa.
- Calma, amor, você entendeu tudo errado...
- Entendi errado? Entendi errado? O que tem para entender errado em "não sou homem de uma mulher só", seu canalha?
- Amor, por favor, os outros...
- Os senhores querem ver o carrinho de sobremesa?
O carrinho de sobremesas foi demais para Maitê:
- NÃO! Sai daqui agora! O senhor ainda não notou que esse crápula está aqui acabando comigo no meio de uma churrascaria?! Você não conseguiu perceber isso, seu imbecil?!!! - berrou uma desconsolada Maitê, muitos decibéis acima, cagando pratos para todas as famílias no salão.
- Tem certeza que não quer experimentar os profiteroles?
- SAAAAAAI DAQUI!!!!!
- Amor, come um doce que de repente te acalma...
- Você escute bem uma coisa, Carlos Eduardo: eu vou me levantar dessa mesa agora e estarei esperando no carro. Eu acho muito bom que você esteja lá em cinco minutos e, ou pense muito bem nessa sua conversa séria, ou me leve daqui direto para acabar comigo numa joalheria! - E levantou-se caminhando em passos firmes no piso escorregadio em direção ao estacionamento. Uma mulher que sabia se impôr.
- ...
- Sobremesa, então, nem pensar, né senhor?

quarta-feira, outubro 24, 2007

Raul Seixas numa hora dessas?!

Estava eu lá, empolgadíssimo, excitado, admirando o corpo e a risada sexy da menina enquanto a enlaçava e pressionava meu corpo contra o seu. Num canto da boate escura, quatro e meia da manhã, beijando e chupando e percorrendo o corpo com as mãos e sentido os peitos, a bunda e as coxas há horas sem cansar. Ofegante, pau duro a roçar-lhe a barriga, nem poderia imaginar que uma noite monótona de sexta-feira ainda poderia reservar surpresas como essa. E tão tarde! Elas estava bêbada, bastante embriagada, mas ora bolas, eram quase cinco da madrugada. A manhã já se desenhava tímida lá fora, um dia todo de sábado e eu só pensava em repetir a sessão com mais tempo, mais intimidade e, quem sabe, com mais sorte. Meu amigo vem e cutuca minhas costas, aponta para o relógio e diz que está indo embora naquele momento, sem chances de esperar por mais quinze minutinhos que sejam. Estou ali, entre os beijos da menina bêbada e uma providencial carona que me livre de uma espera no sol torturante pelo primeiro ônibus que me leve para casa. Até o DJ já decidiu encerrar a noite e toca aquela música feita exatamente para avisar que DJ também tem casa e também fica cansado. Olho para ela, peço o telefone, ela grogue anota algo semelhante a números nas costas da minha mão. "Eu preciso ir... Não queria, gatinha, mas tenho que ir. Tá tardão, beleza? Te ligo amanhã, pode ser? Adorei você, vamos sair mesmo amanhã, eu quero muito, mas agora eu vou..." Ela me agarra e me beija com a boca com gosto de cerveja e drinks adocicados. Me desvencilho dos seus abraços sonolentos, ela não gosta. A menina então me olha e dispara colocando a mão sobre a minha boca, como se quisesse impedir que eu falasse algo que eu não ia "Quer ir, vá... E faça o que quiseres, pois é tudo da lei, da lei!". Ela engata uma declamação claudicante de 'Viva a Sociedade Alternativa' do Raul Seixas enquanto eu me afasto pé ante pé, um pouco assustado e muito constrangido. Grande Raulzito, acabando com meus malhos incríveis desde 1991.

segunda-feira, outubro 22, 2007

A Alemanha deveria ser mais grata às suas bandas de thrash metal

Notei que mais que me entreter, a música teve um papel cabal na construção do meu caráter diplomático. É, exatamente, diplomático! Vejam vocês, se não fosse a música, eu não daria a menor pelota para países como Suécia, Finlândia, Noruega... Eu nem preciso viajar milhas de distância para citar países exóticos que são sempre lembrados, mas apenas em situações como essa: Turcomenistão, Quirguistão, Butão e todo outro terminado em ão que, para quem não sabe, é o sufixo grego para exótico, desconhecido e perigoso. Enfim, pensem em países como o Canadá. Oh, meu deus, o Canadá! Se não fosse pela boa música canadense, eu juro para vocês que poderia ignorar solenemente toda sua extensão geográfica. Vocês têm idéia do que é isso, o poder da música impedindo que todo um povo e sua cultura não sejam ignorados por mim? É, dá o que pensar...

E indo além de países, digamos, carne de vaca, eu poderia citar os Estados Unidos. Se não fossem eles o lar de metade da música mais criativa e interessante produzida no século passado, o que sobraria para gostar ali? Não, sério, e em tempos de governo Bush ainda? Filmes do Charles Bronson e cheeseburger não são capazes de salvar o destino de toda uma nação, não mesmo! E já que falamos dos EUA, por que não citar a Inglaterra, que dividiu com nossos companheiros americanos o berço do que mais influente foi feito em termos de música? Existe outro motivo além da música para se importar com esse país? O clima, a fleuma britânica, a comida???

Obviamente existem casos de países que a boa música é só um bônus, um mimo para os ouvidos dos que se importam com isso. Como a Jamaica ou a Holanda, por exemplo. Você sabe, a Holanda nem precisaria fazer boa música, aliás, eles não precisariam nem mesmo fazer música de qualquer tipo. Eles legalizaram a prostituição e as drogas, o que mais as pessoas podem querer para começar a gostar deles? É o mesmo caso da Jamaica, se você gosta de maconha, praia e espancar homossexuais, você não precisa de mais nenhuma razão para simpatizar com eles!

É claro, existem países, como a nossa republiqueta, de que você gostas APESAR da "boa música", mas são casos raros, únicos. O que realmente me chamou atenção para toda essa relação diplomático-musical foi perceber que se não fosse a música, eu não veria a menor razão para a existência da Alemanha. Não seria o simples caso de ignorar, a música e apenas ela redime a Alemanha de uma existência meio inescrupulosa, convenhamos. Vocês hão de concordar comigo nessa, a Alemanha não nos dá a chance de nos afeiçoarmos a ela quase nunca. Futebol, comida, mulheres? ...Política???? As únicas pessoas que podem ter qualquer tipo de simpatia não-musical pela Alemanha são idiotas que ligam para carros ou apóiam o nazismo, e essas pessoas, todos nós sabemos, não merecem adignidade de nossa consideração. Porra, nem mesmo o pastor alemão é um cachorro que desperta afeto! Portanto, quero que vocês examinem com mais carinho a importância de grupos como Kreator, Assassin, Violent Force, Sodom, Destruction, Exumer... Todos nomes um pouco agressivos, concordo, mas eles estão fazendo sua parte para prevenir um ataque de proporções mundiais ao seu país e criando um pouco de simpatia para com os alemães no coração dos homens de boa-vontade ao redor do mundo. E isso já é motivo bastante para que eu diga: Thrash metal alemão, muito obrigado!

Falar muito é superestimado

Algo que venho tentando com visível empenho ao longo desses anos é diminuir consideravelmente o meu vocabulário. Eu sei, a maioria dos idiotas aí fora optariam pela escolha óbvia de incrementar seu repetório de palavras. Não esse idiota aqui. Conheço detalhadamente os problemas de incompreensão e constrangimento que um vocabulário vasto pode causar, ademais, por que nós precisamos de tantas palavras hoje em dia? Um terço delas nós nem empregamos corretamente ou sabemos o significado. Ora bolas, eu digo a vocês, o meu objetivo é chegar num nível tal de hermetismo que seja possível (e eu realmente acredito que é) se comunicar com apenas cinco expressões. É isso aí, cinco expressões, nada mais que isso: "E aí?", Podes crer", "Foda", "Porra" e "Caralho". É esse meu objetivo, chegar às cinco expressões vitais e de lá nunca mais sair. Eu teria uma afirmação de crença, uma indagação bastante maleável e o resto é tudo com o meu pirú. Pronto, qualquer problema, fale diretamente com ele.

quinta-feira, outubro 18, 2007

Descobri porque odeio a Cora Rónai

Da longa lista de celebridades e gente conhecida que eu odeio secretamente, um nome figura na parte dedicada às lembranças pouco recorrentes. Seção de jornalistas cretinos, área dos nomes poucos recorrentes, para ser mais exato. Mas caralho, é só porque eu ainda insisto em ler O Globo (não que fizesse muita diferença ler outro jornal... Bom, talvez o JB acabasse mais rápido, tá quase um zine!) e, mais que isso, ainda me obrigo ao exercício masoquista de ler a coluna final do Segundo Caderno! Sério, tem melhor cabide de emprego nessa terra que ser colunista do caderno de cultura d' O Globo? E nesse cabideiro, alguém tem mais boa vida enganando os outros que aquela senhora, a Cora Rónai? Deve ser ótimo viver de escrever sobre celular que bate foto, sobre não sei quantas trocentas merdas de gatos vivem no seu apartamento, sobre dar volta de bicicleta, viajar com as despesas pagas e a capivara da Lagoa. U-A-U, não sei como o resto da humanidade passa os outros seis dias de sua semana sem o especial ponto de vista de Cora sobre o mundo. Mas acho que fora minha inveja gigantesca do sucesso alheio e o fato que eu queria muito um empreguinho desses para mim, o que me faz odiar de verdade a colunista toda vez que sua existência retorna a minha mente é o fato de que não há nada mais enjoativo, chato e constrangedor que esse perfil tia-moderninha-que-manja-de-internet-e-se-indigna-com-o-governo. Eu poderia apostar que a Cora Rónai é gorda, baixinha, usa aquele corte de cabelo de mãe divorciada pós-quarenta (aquele que é bem curtinho e pintado de vermelho da Wellaton) e se veste com umas roupas "bem transadas" totalmente equivocadas.

Prontodesabaphey!

Cortez, o personagem mais chato de todos os tempos

Cortez passa os dias sentado no escuro, esperando que uma luza venha à cabeça de outro e lhe diga o que fazer. Ele foi asim batizado em homenagem a uma música do Neil Young que seu criador nunca ouviu, mas gostou do título, achou poderoso. Mas esse Cortez não é um assassino, não é nem mesmo um roqueiro folk norte-americano. Esse Cortez aqui é só um personagem sem muita profundidade criado às pressas por um autor preguiçoso e sem saco para extender-se em descrições minuciosas do perfil humano. Até aí foda-se, Cortez não liga. Na verdade, Cortez não sabe, e está mais ou menos feliz com sua vidinha de ser meio vivo esperando para acontencer. Ele fica ali sentado no escuro, anda pra lá, anda pra cá, senta, estica as pernas e cola o queixo no peito. Fica só esperando esse porra aí ter uma idéia e ele botar pra quebrar.

Apesar de não ter consciência de sua falta de profundidade literária, da ausência de um perfil mais elaborado, Cortez desconfia de que falta alguma coisa a ele, algum mote dramático que impulsione sua carreira de personagem fictício. Desconfia não, ele tem certeza! Olha para um lado, para o outro, nada de especial. Tira a camisa, tira as calças, se admira nu no espelho, nada de especial. Pensa em antigas namorados, em alguns amigos, certos acontecimentos... Nada! Puta merda, com tanto lugar para nascer, Cortez foi logo aparecer na cabeça desse autorzinho de merda?! Se ele ainda vivesse num blog mais movimentando, mais popular, quem sabe? Talvez os comentários incentivassem alguma estória, algum fato corriqueiro recheado de ironia social para ele estrelar.

Quando começa a pensar muito, Cortez fica deprimido. Se vê um fracassado completo e quer chorar a fatalidade, mas nem sabe bem como e nem vê muito porquê. Ele fica com raiva, mas uma raiva meio resignada que está mais para uma indignação conformada, e amaldiçoa sua sorte. Se descobre um merda, mas não pode deixar de pensar que se ao menos fosse um desses merdas criados pelo Rubem Fonseca, aquele tipo de perdedor que tem no sexo a redenção de sua existência, tudo seria bem mais bacana. Mas não é, é plenamente medíocre, e o que é pior, sem nenhum viés heróico e/ou poético nisso. Ah, se Cortez ainda fosse um daqueles malditos escritos por Bukowski ou John Fante, sem redenção, mas com uma aura meio santa, com um sentido meio nobre no meio de tanta sujeira e revés. Não é. Cortez não serve nem como alegoria, alter-ego ou crítica a qualquer coisa que seja. Cortez é só um personagem chato, ruim, criado por impulso sem muita razão e que agora seu autor não sabe o que fazer com ele.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Lista de exigências

Acordei tarde com a cama empapada de suor. O calor úmido e sufocante que toma as ruas e invade meu quarto me força a levantar. Ainda zonzo caminho até o banheiro tateando as paredes do corredor. Uma olhada no espelho e eu sou exatamente aquilo que a imagem reflete e os sintomas indicam: a nuca dura doída, os olhos negros e o lábio pulsante. Eu sou um saco de pancadas. Na palma da minha mão garranchos borrados são resquícios do que deve ter sido a noite anterior. Algumas decisões que tomei e não me recordo. Eu tenho uma lista de exigências escrita na palma da minha mão.

Não há muito para se lembrar das últimas horas do meu dia anterior. Mais uma surra decerto, mais uma vez refazendo solitário o caminho que leva às escadas do meu prédio. Quem se importa? Eu vasculho os bolsos da calça velha apenas parar confirmar que, novamente, meu dinheiro foi tomado. Poderia fingir que não conheço os responsáveis, mas sei o nome de cada um deles. São sempre os mesmos, sempre os mesmos. Nós estamos vivendo com o mínimo necessário para nos considerarmos vivos. Estamos "apenas vivendo", como eles preferem dizer, e conformados com isso. Olho novamente a lista de exigências escrita de caneta na palma da minha mão. O suor não apagou as decisões e isso deve significar alguma coisa.

Fico encarando o escrito sentado no vaso sanitário. Eles tomam o nosso dinheiro, nos mandam de volta para nossas casas acuados, eles sabem que a gente vive mal e eles não ligam. Eu estou machucado e tenho hematomas que nunca cicatrizam por conta do abuso, mas eu não tenho medo, sou só uma vítima do pavor que eles infligem. Todo meu dinheiro, toda minha vontade, toda minha razão, todo dia eles arrancam um pouquinho de mim. A palma da minha mão fecha e esmaga a lista de exigências escrita nela, mas não para esconder, não quero que ela desapareça. Eu tenho os punhos fechados e uma lista de exigências escrita na palma da minha mão, é hora de ir para a rua.

Desço as escadas decidido, ansioso para resolver o que eu sempre soube que deveria ser resolvido, apenas adiava. É da natureza humana sempre lembrar daquilo que escolhemos esquecer, deve ser por isso que agora, pela primeira vez, as marteladas no cérebro pareçam mais suaves. O rosto marcado esboça um sorriso e uma gargalhada raivosa e desesperada ecoa dentro de minha cabeça. Na rua, o rádio de um carro estacionado sobre a calçada bloqueando minha passagem toca uma música que diz que deus é só uma criança com a fralda suja. "Podecrê...", os tambores marcam meus passos até a porta daquele bar. Eles estão lá dentro, sentandos de costas, rindo alto, orgulhosos de sua existência. Confraternizam como porcos sobre a comida sem saber que minha vingança possui o nome de cada um deles.

A pedra estoura a vidraça e acerta o gordo provocando um barulho oco e uma explosão de sangue bem no topo de sua cabeça. Pronto, eles já sabem que eu estou ali, apesar de ainda não imaginarem exatamente o que eu quero. Eu quero o que foi tomado de mim diariamente todos esses anos, seus filhos da puta! Mas minha cobrança não é em espécie, eu estou aqui para coletar meus atrasados em forma de toda dor que vocês já provocaram. A troca me parece justa e antes que o dono do bar consiga fazer que a polícia chegue e me leve dali eu já terei acabado. Eles saem prontos a me recolocarem no meu papel, mas apenas me cercam na calçada, não possuem mais tanta certeza de que eu sou um alvo tão fácil uma vez que tomei a iniciativa da violência. Enquanto eles ainda assimilam a prepotência desse merda que esqueceu-se do seu lugar, mais uma pedrada voa rápido atingindo o careca entre o nariz e a boca com toda a força que eu seria capaz de colocar.

Com os outros dois fora, agora sou apenas eu contra o manda-chuva e não sinto medo algum, pela primeira vez. Eu estou decidido e a determinação é mais assustadora que meu próprios ataques. Um soco apenas, bem colocado, justiceiro, redentor. A porrada estilhaça seu queixo fazendo que os dentes trinquem e ele adormeça com as costas queimando na calçada e os sapatos novos afundados numa poça de sujeira no meio-fio. E agora? Cata a grana nos bolsos dele, vê se ele ainda não gastou o que é seu. Não, corre, sai fora dali antes que a polícia chegue! Lá dentro do bar o dono me encara com seus olhos arregalados e o telefone grudado à orelha. As pessoas passam na minha frente, algumas param e encaram os dois homens estirados na calçada, olham pra mim e vão embora, mais preocupadas com suas prórpias vidas. Elas mal sabem que eu tomei uma decisão na noite anterior e acordei com uma lista de exigências escrita na palma da minha mão. Uma lista de exigências que dizia já basta!


Esse conto é inspirado na música List of Demands (Reparations) do ator e cantor Saul Williams. Se você nunca ouviu, baixe-a para escutar enquanto lê isso aqui.