E levando a cabo uma das maiores lições que o punk me ensinou, não vou ficar aqui simplesmente reclamando enquanto vejo o mundo ser dragado por essa modinha vampiresca ridikley. Não mesmo, meus três leitores (Pedro, Gabi e Marcela, estou falando diretamente com vocês!), eu vou é agir! E pra começar a fazer com que os lobisomens tenham seu lugar de direito no panteão dos profissionais na arte de ser foda retomado, decidi escrever uma crítica cinematográfica sobre Teen Wolf Too, a desconhecida continuação de O Garoto do Futuro.
Sorry, periferia
Bom, basicamente a continuação do sucesso Teen Wolf, um dos melhores filmes já produzidos pelos Estados Unidos da América, é o mesmo filme, com a mesma história e, pasmem!, os mesmos personagens. Só substituiram o Michael J Fox, que devia ter mais o que fazer, e mandaram seu substituto, o Jason Bateman, pruma faculdade. E quando eu digo que os personagens são os mesmos, eu não estou falando de dois ou três. Chubby, Stiles, o pai do Scott howard (precisava mesmo? não podiam contratar um ator pra fazero pai do menino?), até o treinador do time de basquete e aquele assistente gordinho dele tão no filme! A impressão que dá é que o estúdio tinha a continuação toda pronta e, na última hora, o protagonista deu pra trás... Bom, eu ia falar "teve um faniquito e desistiu", mas achei desrespeitoso com a condição de Michael J Fox.
Enfim, o lance é que com tantos personagens do filme anterior, a coisa fica meio sem sentido. Por exemplo, porque o herói Todd é levado pra faculdade pelo tio e tem aulas de boxe com ele ao invés de seu próprio pai? Não há nenhuma menção a ele ser orfão, veja bem... Outra, o técnico do time de basquete aparece aqui transformado em treinador da equipe de boxe (!!!) da faculdade. Eu não sabia que era possível não somente o cara saltar da condição de professor de educação física ginasial para a de participante do corpo docente de uma faculdade, como se tornar treinador de boxe em menos de dois anos! Ainda sobre os personagens, uma coisa que me doeu o coração e, novamente, não tem muito porquê, é o fato de terem mudado o ator que interpreta o magnífico Stiles. Todo mundo que viu o filme sabe que o Stiles é um dos melhores "amigos-doidões" da filmografia adolescente oitentista. Porra, se era pra colocar um outro ator, não era mais fácil criar um novo personagem, um novo "amigo-doidão" que não denegrisse o legado deixado pelo brilhante Jerry Levine? Fora isso, é nítido que o novo Stiles é mais novo que o anterior; E ele usa mullets, o que deixa tudo óbvio demais!

Da esquerda para direita: Stiles fake e cosplay de Michael Jackson em Thriller
Mas claro, não sou desses críticos intelectuais que ficam querendo falar mal de que quem põe a cara a tapa com sua arte. O filme tem lá suas sacações, fico feliz em admitir. Por exemplo, para reitor da faculdade, chamaram ninguém mais, ninguém menos que o ator que interpretava o Gomez no seriado da Família Adams! E também inventaram uma professora de Biologia que eu já saquei de cara que era lobismulher (é assim que fala, né?). Na real, tudo o que aparece é ela ficando com olhos vermelhos e saindo fora com um rabo de collie aparecendo por baixo da saia, mas tudo bem, não dava pra esperar mais - Apesar de que não me incomodaria com um full frontal dela em trajes licantropos nos extras do DVD. Fikadika. Além disso, o filme inova ao mostrar uma cena em que a clássica "guerra de comida", tão comum nos abastados e capitalistas colégios estadunidenses, é substituída por uma guerra de... sapos!!! Que se dane os Direitos Animais, eu achei avant garde!
Um ponto REALMENTE negativo é a maquiagem de lobo do Todd Howard. Sei lá, ficou uma pegada meio filme d'Os Trapalhões, e eu não estou falando isso positivamente. Apesar das sequências de boxe serem realmente bacanas (afinal, tem algo mais fuderosamente foda que um homem-lobo distribuindo socos num ringue?), o corpo do lobisomem também parece mais vagabundo, como se a produção tivesse pego emprestada a fantasia da Konga do Tivolly Park. Para terminar, não há nenhuma cena de breakdancing lupino e nem mesmo uma mera surfadinha em cima de automóveis de qualquer tipo. Ao invés disso, uma sequência do protagonista dirigindo um conversível com duas vagabundas (o que eu respeito e apóio totalmente) e uma outra onde ele dubla toscamente "Do You Love Me?" numa festa, com a presença de umas meninas naquele pique Aeróbica do Faustão evoluindo pelos jardins. Ah sim, e o par romântico do Jason Bateman é uma baranga que parece com Betty, a Feia. E eu estou falando da original colombiana, não de sua versão Primeiro Mundo.
O saldo final pode parecer meio constrangedor, mas ainda é Teen Wolf e isso precisa ser levado em consideração. Além disso, se filmes com lobisomens universitários que lutam boxe, dirigem porshes e fazem coreografias em festas é sua praia, essa fita não o decepcionará de maneira nenhuma. Eu dou três em cinco patinhas de lobo para a obra.