Sou um homem simples, coisas simples me agradam. A chegada de temporadas de Curb Your Entusiasm e Entourage em DVD na minha locadora, a perspectiva de sexo nos finais de semana e encontrar bonequinhos em promoção por aí já é mais que o suficiente para me deixar incrivelmente alegre. Isso e mais coca-cola na geladeira e minha conta de banco permanecendo humildemente longe do vermelho deixam minha vida bem tranquila. Feliz até. Mas nos recônditos mais negros de minha alma, entre os segredos que se escondem e só o Sombra sabe, eu guardo desejos vis e gananciosos. Devo admitir, quando deito a cabeça no travesseiro sozinho no meu quarto, fico pensando em tudo o que eu vou comprar quando finalmente for um milionário.
Claro que meus desejos passam longe de ações, imóveis, carros, iates e a alma de puxa-sacos. Porra, muito dinheiro pra mim está intimamente ligado (talvez por culpa do Dudley Moore) a hábitos pouco usuais, quase como se a montanha de dinheiro servisse como um salvo-conduto para ser excêntrico. E convenhamos, qual a graça de ser podre de rico se você não pode se dar ao direito de ser meio Liberace (mas sem necessariamente ter que dar a bunda)? Eu já tenho tudo planejado e assim que fizer meu primeiro milhão, vou torrá-lo com as seguintes coisas:
1 - Um pônei que eu vestirei com um chapéu côco, um monóculo, gola engomada e quatro polainas. O batizarei de Tommy Lee Jones e farei dele meu primeiro-ministro pessoal. As pessoas na minha casa serão obrigadas a reverenciarem Tommy Lee enquanto ele literalmente caga pra elas.
2 - Um porco, a quem chamarei de Sunshine ou Lombinhos McGee, não estou bem certo. A serventia do porco será escutar todos meus segredos e deixar que eu puxe seu rabicó toda vez que tiver entendiado. Talvez o pinte com cores psicodélicas, não sei.
3 - Uma zebra. Será meu meio de transporte.
Fora isso, encomendarei uma guarda-roupa exclusivamente branco, naquele estilo Denner, sacam? (aliás, o Dener era amigo da avó de um amigo meu, mas isso não vem ao caso) e comprarei vários anéis de rubi. Devidamente paramentado, montarei na zebra e andarei pelas ruas de São Conrado e do Baixo Leblon distribuindo moedas de dez centavos e notas de um real para a plebe ignara. Eles gritarão "Lá vem o Califa, viva o Califa!" e eu responderei "Tostões, meus queridos, tostões!" enquanto lanço as moedinhas ao vento.
Ah sim, para zelar pela minha segurança contratarei um ninja que vai na frente, abrindo caminho, enquanto passeio de zebra. E vou pagar ao Europe para que eles componham um hino em minha homenagem, hino esse que será tocado diariamente como toque de alvorada num piano de cauda branco com um candelabro de cristal em cima. Também pagarei alguma Laura para ser minha amiga (ou então trocarei o nome de minha namorada para Laura), apenas para poder dizer "coisas de Laurinha..." numa afetação tipicamente milionária.
Claro, as pessoas que me conhecem podem estar se indagando "Ué, e o macaco?". Gente, um homem precisa ter a maturidade e a coragem necessárias para assumir que não tem a profundidade sentimental para ter seu próprio macaco. Principalmente se for daquele tipo cínico, que usa smoking ou suspensórios de arco-íris e bate palma sorrindo depois de tacar merda na parede. Eu AINDA não estou, mas o futuro a deus pertence, né mesmo?
Goodbye (Adeus em inglês), Katylene
Há 4 anos